Séculos XIX e XX

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lunes, 5 de julio de 2010

O Brasil e a Argentina. Texto 12. Síntese. Fins do século XIX - Século XX

Nossos países têm percorrido caminhos paralelos. Caminhos traçados pela luta dos povos e pelos interesses alheios...
São tão diferentes e tão iguais...
No século XX, ditaduras muitas vezes sangrentas. Lutas para voltar à democracia. Classes dominantes poderosas muitas vezes aliadas com o poder estrangeiro. Governos populistas que outorgaram melhoras as classes populares. Classes médias aliadas com as poderosas olhando para o estrangeiro.
Mais acho que “essas paralelas têm interseção”: O Mercosul
A luta do século XXI é pela unidade dos países em suas diferenças.
Unidade de critérios para enfrentar os riscos, unidade para o desenvolvimento de seus povos, unidade na defesa das liberdades, na defesa das justiças, na defesa das igualdades nas diferenças, na defesa das diversidades humanas em toda a extensão da palavra...
Hilda Mendoza
O BrasilA Argentina
1889-1930 A República Velha.Este período é marcado pelas revoltas sociais e o Brasil se afirmou como exportador de café. Na política, nos começos governos militares e depois se sucederam governos das elites agrárias e mineiras em forma alternada, por essa alternância se chama de “Política do café-com-leite” o desenvolvimento da indústria foi importante. Cria-se a nova constituição com direitos civis.
As divergências giraram em torno da questão federalista: os civis defendiam o federalismo e os militares eram partidários de um poder central forte.
O Brasil foi dividido em quatro regiões, cada uma delas tinha um banco emissor para solucionar o problema da circulação de dinheiro. Em cada estado existia, uma minoria dominante, que, aliando-se ao governo federal, se perpetuava no poder.
Os fazendeiros ou comerciantes mais ricos eram chamados de coronéis.
Com a proclamação e a adoção do federalismo, os coronéis passaram a ser as figuras dominantes do cenário político dos municípios, seu poder residia no controle que exerciam sobre os eleitores. Todos tinham eleitores cativos e sua importância se media por sua capacidade de controlar o maior número de votos
O esquema da economia tinha sido o seguinte: fazendeiros/comissários/ensacadores/exportadores/importadores/comissários /fazendeiros.
Se modificou quando os importadores se conectaram diretamente com os fazendeiros.
O mercado brasileiro estava em profunda transformação já que modificou também sua forma de atuação, nomearam-se agentes e representantes de vendas pelo interior.
O mercado ficou mais segmentado, mas em compensação, mais livre. Para solucionar o problema da queda do preço, o governo regulou o mercado.
Estabelecia-se, assim, a primeira política de valorização do café.
Surgiram movimentos sociais, uns deles foi o tenentismo, movimento de caráter político-militar, liderado por tenentes, que faziam oposição ao governo oligárquico.
A indústria, que neste período estava em expansão e a política sofreu duras críticas dos empresários ligados à indústria. O movimento conseguiu manter viva a revolta contra o poder das oligarquias, e preparou o caminho para a Revolução de 1930 que alterou definitivamente as estruturas de poder. Liderados por Getúlio Vargas, políticos da Aliança Liberal e militares descontentes, provocam a Revolução de 1930. É o fim da República Velha e início da Era Vargas.
1880-1930
A Argentina foi consolidada como país agro-exportador, liberal e positivista, foi produtor de matérias primas, vinculado ao comércio inglês. As exportações aumentaram 10 vezes. A isso se somou a cria de gado, também se exportaram ovelhas e bois.


As campanhas para chegada de imigrantes da Europa foi uma característica da época.
Os setores médios cresciam e se desenvolviam ao ritmo da economia e um sistema educativo que se estendeu em forma livre e gratuito permitiu a ascensão social.


Os trabalhadores se organizaram em grêmios com a filiação ideológica trazida dos países de origem


O desarrolho industrial estava limitado pelo modelo de país agro-exportador.


Características: Dependência econômica, latifúndio como unidade de produção agropecuária. Os donos das terras atuaram associados a capitais estrangeiros. A intervenção do estado assegurava o funcionamento do modelo garantindo a livre circulação de capitais, construindo estradas unificadas no porto de Buenos Aires para facilitar a exportação, organizando o sistema jurídico e monetário. Os capitais estrangeiros participavam dos transportes e na comercialização de produtos. As regiões cujas produções não se exportavam começaram a depender da economia da “pampa” ocasionando desequilíbrios regionais.

Os dois países neste período têm características históricas comuns. Governos eleitos frouxos com poderes militares fortes.


1930-1964
Os dois países neste período têm características históricas comuns. Governos eleitos frouxos com poderes militares fortes.
Os governos militares estiveram formados por juntas governativas ou governos nomeados por eles, seus representantes no poder. Representantes das classes sociais dominantes.
O Estado Novo foi adequado para uma acumulação primitiva de capital, depois se tornou um obstáculo, e a burguesia passou a querer participar mais de perto nas decisões governamentais. Getúlio era chamado pelos seus simpatizantes de “o pai dos pobres” por o fato de ter criado muitas das leis sociais e trabalhistas brasileiras.
Deve-se destacar a promulgação de uma nova Constituição, cujos traços principais foram o retorno da democracia e a manutenção de inúmeros direitos trabalhistas, a redução da intervenção do Estado na economia; aperfeiçoamento da assistência estatal nos setores de saúde, alimentação, transporte e energia; a adoção de uma política econômica liberalizante, de forma a facilitar o acúmulo de capital às custas de baixos salários, e a expansão das empresas estrangeiras. Esta última medida trouxe reflexos funestos para a economia nacional, de vez que se esgotaram as reservas cambiais adquiridas ao longo da II Guerra Mundial, proibiu-se os jogos de azar no Brasil. Na Política Externa alinhou-se com os norte-americanos na Guerra Fria, enquadrando-se na divisão mundial entre os blocos capitalista e socialista.
Em 1951, com Vargas e sua ideologia nacionalista, intervencionista e paternalista ganhou novo impulso a indústria, procurou restringir as importações, limitar os investimentos estrangeiros no País, impedir a remessa de lucros de empresas estrangeiras instaladas, para seus países de origem, criou-se o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico, procurou compensar os traba¬lhadores, dobrando o valor do salário mínimo. Com isso, conquistou o apoio da classe trabalhado¬ra. A política estatizante, de cunho nacionalista, desencadeou a oposição de empresários ligados às empresas estrangeiras.
Acusaram a Vargas de estar tra¬mando um golpe que estabelecia uma República sindica¬lista, consciente de sua deposição em breve, Vargas sur¬preendeu seus inimigos e a nação, suicidando-se.
Nos anos seguintes registraram-se o mais expressivo crescimento da economia brasileira e se realizavam investimentos no setor industrial a partir da emissão monetária e da abertura da economia ao capital estrangeiro ocasionando desnacionalização da indústria. Consolida-se o capitalismo dependente. A construção de Brasília está compreendida em um ambicioso plano de investimento público. Os conflitos pela inflação e reajustes salariais foram importantes. Às pressões externas, do governo americano e do FMI, condicionaram os empréstimos externos, a adoção de medidas restritivas ao crescimento, embora correspondiam às reivindicações populares e dos setores da esquerda brasileira. Em 1964, em meio às tensões sociais e à pressão externa, precipitaram-se os acontecimentos. uma Marcha que tinha como objetivo mobilizar a opinião pública contra a política desenvolvida pelo governo, conduziria um acordo com seus opositores, ocorreu a Revolta dos Marinheiros, aos poucos se iniciou a movimentação de tropas.
O Golpe de 1964 submeteu o Brasil a um regime alinhado politicamente os Estados Unidos da América.
1930-1966



O período que começou com o golpe militar que derrocou ao presidente Hipólito Yrigoyen, conhece-se na Argentina como a “Década Infame” assim como se disse que termina com o golpe militar que derroco ao presidente Ramón Castillo.



Na realidade, foram quase 73 anos vis. Neste período poucos presidentes eleitos democraticamente cumpriram o período para o qual foram escolhidos e outros apenas estiveram em seu posto.


A luta principal foi pela consolidação política existindo clientelismo. Regulara-se os estatutos dos partidos políticos.


No ano 1944 há medidas sociais que favoreceram aos trabalhadores, classe social que brindou seu apoio, surgindo adversários ao regime.


Começaram os problemas com os jornais, com os jornalistas e com os donos dos jornais, todos se tornaram opositores. Compraram-se vários jornais e rádios monopolizando a informação.


Os enfrentamentos entre seguidores e adversários foram constantes, perseguiram-se aos comunistas e aos opositores todos. Muitos intelectuais se exilaram no Uruguai. Dois bombardeios à Praça de Maio, com muitos mortos civis, marcaram a decisão dos opositores de acabar com o regime e terminaram com o derrocamento do presidente.


Inicia-se a ditadura com a proibição do peronismo que em diferentes alianças está presente, quando não, faz oposições às vezes violentas.





1964-2003

Foi eleito o primeiro presidente civil desde as eleições de 1960, governo que se transformou numa ditadura altamente repressiva, que praticou a tortura e assassinatos de cidadãos a fim de neutralizar e eliminar os opositores políticos e os grupos subversivos. Remodelaram as instituições políticas e a economia do país.
Na política, a marca foi centralização e fortalecimento do poder a partir do fortalecimento do poder Executivo, exercendo controle sobre outros poderes. Foram também estabelecidas rígidas regras para o exercício da oposição, e eleições indiretas para os cargos.
Na área econômica, incentivaram-se os investimentos estrangeiros no país, estimularam-se as exportações e a ampliação do crédito ao consumidor.
Os militares se sucederam no governo, ditaram leis que foram para sustentar todas as mudanças e medidas políticas colocadas em prática durante o período. O Congresso estava aberto e mais não funcionava.
As greves foram proibidas e os governos intervieram em todos os sindicatos trabalhistas.
Inicia-se o bipartidarismo, promulgou-se uma nova Lei de Segurança Nacional que se transformou num poderoso instrumento de controle e vigilância política sobre todos os setores da sociedade civil.
O mercado consumidor se ampliou, mas quem se beneficiou foram as classes médias e os mais ricos. A concentração de renda impediu que as classes populares se beneficiassem do desenvolvimento e crescimento econômico. As medidas repressivas seriam muitas e rígidas para se evitar as reações ao adotar medidas que reduziam o consumo por meio do congelamento salarial e a abertura da economia ao capital estrangeiro.
O fechamento das vias de atuação política acabou transferindo um importante papel de oposição aos estudantes, que passaram a criticar a repressão e o desmando dos militares, que acabou incitando um protesto contra o regime militar que ficou conhecido como a Passeata dos Cem Mil.
O endurecimento do regime também motivou que grupos políticos adotarem a luta armada como via de combate aos militares. Inspirados pela Teoria do Foco Guerrilheiro, que se usava na guerra de Vietnã e Argélia, pegaram em armas esperando empreender a derrubada do regime militar.
No ano de 1968, dava-se fim a todos os direitos civis, permitia-se a cassação dos mandatos parlamentares e o fechamento do Congresso Nacional, das Assembléias Legislativas e Câmaras Municipais, limitava os poderes do Judiciário ao suspender o direito de hábeas corpus em crimes que iam contra a “segurança nacional”
A perseguição política dava no alvo marcada pelas torturas, mortes e prisões.
Promovia-se a tortura e o assassinato no interior de delegacias e presídios. A guerrilha, que usou de violência contra o regime, foi seriamente abalada, A repressão aos órgãos de imprensa foi intensa, impossibilitando as denúncias. Ao mesmo tempo observaram-se o uso massivo dos meios de comunicação para dar uma visão positiva sobre o Governo Militar. A campanha publicitária oficial com cartazes defendia o atuado.
O chamado “milagre econômico” foi marcado pela realização de grandes obras da iniciativa pública.
A crise internacional do petróleo, afetou severamente aos poucos, a dívida externa e a inflação acabaram com os sucessos do regime. Começara outra vez o investimento estatal. A desaprovação do regime era à vista.
Afastaram-se os mais radicais do governo e abriu-se as portas às eleições.
O último presidente do regime militar, marca o início do processo de redemocratização política. Começaram a surgir diversas greves, contrariando o que determinaram os militares. As de maior destaque foram do sindicato de metalúrgicos. O regime interveio no sindicato, prendendo Lula e outras lideranças da entidade. As greves foram reprimidas, mais os empresários desejavam acabar com isso. Os trabalhadores acordaram com os empregadores um aumento de salários, o retorno de Lula às suas funções no sindicato e de todos os outros presos. Decretaram-se eleições diretas para os Estados a partir de 1980. Os avanços políticos provocaram reação da direita reacionária que começaram praticar sequestros e atos com bomba. Em 1981, os atos violentos eram muitos. Em um show comemorativo do Dia do Trabalho, uma bomba foi encontrada em uma caixa e outra explodiu em um carro estacionado. Em 1982, as eleições fizeram que a oposição saísse vitoriosa, consolidou-se o processo de redemocratização do País, isso garantiu à maioria da população brasileira o direito a participar na vida política nacional. Foi restabelecido o direito de voto, a garantia de amplas liberdades sindicais, além da convocação da Assembléia Nacional Constituin¬te.
As forças políti¬cas que compunham o Governo estavam muito desacredi¬tadas e a oposição conquistava cada vez mais força.
Nos anos 90 foram tomadas medidas econômicas drásticas e de grande impacto a fim de solucionar a grave crise da hiperinflação. Os salários e os preços foram congelados, os depósitos bancários foram confiscados. A recessão e o agravamento da crise econômica afetaram sua popularidade dos governos. Começou-se a falar de corrupção. o governo ficou completamente isolado política e socialmente. O país enfrentava uma grave crise econômica, com a inflação importante.
Uma forte desvalorização da moeda provocada por crises financeiras internacionais leva ao Brasil a uma grave crise financeira que, para ser controlada, levou aos juros reais mais altos de sua história e a um aumento enorme na dívida interna. Foram privatizadas algumas rodovias federais, a maioria dos bancos estaduais responsáveis do déficit público e o sistema telefônico brasileiro. Foi adotada a terceirização de serviços e de empregos públicos em áreas consideradas não essenciais. Criou o Bolsa Escola, e outros programas sociais destinados à população de baixa renda, que atingiu 4 milhões de famílias beneficiadas, também investiu em infra-estrutura, duplicando importantes rodovias brasileiras. Ignácio Lula da Silva foi adversário político e crítico ardoroso da política econômica.
Nesse contexto assumiu a presidência Luiz Inácio Lula da Silva no ano 2003

1966-2003

Este período teve quatro pontos importantes, as duas ditaduras militares e as voltas das democracias com o julgamento aos responsáveis dos governos do fato da segunda ditadura.

A ditadura da Revolução Argentina (1966-1973)
Viveram-se situações marcadas por uma notória falta de liberdades e controle do jornalismo. Começou uma mudança da economia com a apertura dos mercados para importações e fechamentos das indústrias nacionais ocasionando o crescimento incontrolável da dívida externa.
A proibição do peronismo e limitações das liberdades, deram o surgimento dos grupos radicalizados e começo do treinamento dos militares na Escola das Américas para se preparar para a luta interna. O objetivo foi de impedir a chegada ao poder regimes de esquerda, que nos últimos tempos estavam se manifestando em ações armadas.


Democracia (1973/1976)
No período tem destaque a inoperância administrativa, a morte do presidente Perón e osurgimento da violência do governo com o grupo AAA e o Operativo Independência na província de Tucumán.
Inoperância executiva total.


A ditadura do Processo de Reorganização Nacional (1976/1983)
Começou o controle da ditadura com violações aos direitos humanos e desmantelamento da legislação trabalhista vigente. O ministro Martinez de Hoz tinha manifestado que as atividades repressivas do “Proceso” foram necessárias para conter o descontentamento popular pelos resultados econômicos.
Desapareceram pessoas, roubaram meninos e houve delitos econômicos. Para parar o descontentamento da população invadiram as Ilhas Malvinas iniciando uma guerra com a Inglaterra. O fracasso da aventura de um militar bêbado, foi estrepitoso, foi destituído do grau militar.


Democracia (1983/ continua)
Na democracia foram julgados, condenados a prisão perpétua pelos numerosos crimes cometidos durante os governos os máximos responsáveis pelas violações aos direitos humanos durante o regime militar. A pressão militar impediu, no princípio, o julgamento de outros responsáveis. Começou a integração entre o Brasil e a Argentina "para fortalecer a democracia, afrontar a dúvida externa assim possibilitar a modernização produtiva”.
A inflação superior de 1000% levou à renuncia do presidente e à toma de pose antecipada do sucessor.

Os presos foram indultados nos anos 90 e voltaram a prisão depois de 2003. Privatizaram-se as companhias petrolíferas, os correios,o telefone, o gás, a eletricidade e a água. Dois atentados terroristas a comunidades judaicas e ao povo tudo aconteceram a meado dos 90.
Aumentou da corrupção, da dívida externa, da pobreza, da indigência, o desgoverno; a diminuição dos salários dos trabalhadores e a dolarizaram a economia, o congelamento das contas bancárias. O exposto ocasionou no ano 2001 um caos político sem precedentes. As mobilizações populares se sucederam e acabaram com mais de 30 mortos e muitos feridos. O presidente renunciou e a fugiu em helicóptero dede a casa do governo.

Isso levou que se sucederam na presidência cinco pessoas em só poucos dias
A economia em recessão tinha incrementado a pobreza e indigência até índices nunca vistos antes na Argentina uma parte importante da população fazia troca de alimentos e coisas para sobreviver.


Em este contexto assumiu o presidente Nestor Kirchner no ano 2003

Hilda Mendoza
Julho 2010

O Brasil e a Argentina. Texto 11 : A Argentina 1966-2003

Este período teve quatro pontos importantes, as duas ditaduras militares e as voltas das democracias com o julgamento aos responsáveis dos governos do fato sa segunda ditadura.

37.ONGANIA, Juan Carlos (1966/1970, Governo de fato)
A idéia era se instalar, organizar a economia a seu jeito fazer desaparecer os partidos políticos e a democracia. Onganía Foi apoiado pelos sindicalistas, e pelo secretário geral Augusto Vandor. Vários grupos de interesse tais como a indústria, os trabalhadores, e a pecuária, criariam comitês para assessorar o governo, a maioria das pessoas dos comitês foi indicada pelo próprio ditador. Suspendeu o direito de grave, seu ministro de economia, Krieger Vasena, decretou um congelamento dos salários (com uma inflação de 30%) e uma desvalorização de 40% do peso argentino, que impactou adversamente na economia, favorecendo o capital estrangeiro. Suspendeu as convenções coletivas de trabalho, reformou a lei dos combustíveis, assinou uma lei que facilitava as expulsões de inquilinos caso do não-pagamento de aluguel.
Significou o fim da autonomia das universidades, que tinha sido conseguida pela reforma universitária de 1918. Com apenas um mês de sua administração, os estudantes universitários foram reprimidos na chamada “Noite dos bastões longes” onde ingressaram nas universidades violando a autonomia empurraram aos estudantes e fecharam as universidades.
Reprimiu tudo que considerasse "imoralidade", as roupas, os cabelos longos para meninos, e todos os movimentos artísticos de vanguarda. Isso radicalizou às classes médias que estavam presentes nas universidades.
Os opositores, dentro das próprias forças armadas, publicamente divergiram. A ditadura estava enfraquecida pelas revoltas populares dos trabalhadores e dos estudantes que ocorreu em todo o país, em particular no interior, “O Cordobazo” “O Rosariazo”.
Onganía finalmente foi derrubado por uma junta militar e foi substituído.

28. LEVINGSTON, Roberto (1970/1971, Governo de fato)
A Junta de Comandantes em Chefe das três forças armadas o designou para substituir ao presidente de fato Onganía. Ocupou a presidência durante menos de um ano, e foi deposto a sua vez por Alejandro Agustín LANUSSE.

29. LANUSSE, Alejandro (1971/ 1973, Governo de fato)
Estava enfrentado a Ongania, exigiu a renúncia dele e depois da negativa, o derrubou. Durante seu mandato restabeleceu as relações diplomáticas com a China, convidou a Perón a regressar do exílio (foi uma provocação mais que um convite, ele disse que não “lhe dava o couro para vir”).
Lanusse se comprometeu a convocar a eleições em 1973 com a condição de que Perón não participasse nelas, apresentou-se no nome de Perón, Héctor Cámpora e venceu com 49,5% dos votos. Depois da posse deste como presidente, Lanusse se retirou da vida pública.
Lanusse foi um crítico ativo da atuação das Juntas Militares o declarou nos julgamentos celebrados após o retorno da democracia em 1985.

30. CAMPORA, Héctor José (1973/1973, Renunciou)
Sua posse foi uma festa das esquerdas latino-americanas estiveram presentes, o então presidente do Chile Salvador Allende, o presidente de Cuba Osvaldo Dorticós... Sua primeira medida foi, conforme havia prometido a anistia dos presos políticos, retomaram-se as relações diplomáticas com Cuba interrompidas durante a ditadura militar.
Perón voltou ao país e ocorreu a Massacre de Ezeiza onde se enfrentaram seus partidários (no peronismo estavam desde a esquerda até a direita). Cámpora convoca à eleições sem proscrição, Perón foi reeleito com mais de 60% dos votos. Cámpora renúncia e assumiu Perón em seu terceiro mandato.

31. LASTIRI, Raúl Alberto (1973/1973, assumiu em forma interina como presidente do Senado)

32. PERON, Juan Domingo (1973/1974, morreu)
Estava casado por terceira vez com Maria Estela Martinez (Eva Duarte tinha morrido de câncer no ano 1952). Perón Assumiu em seu terceiro mandato depois de 18 anos de exílio sua vice-presidente era sua mulher conhecida como Isabel. Ainda tinha o carisma do paternalista. As nacionalizações e as reformas sociais, assim como sua postura crítica, sobretudo ante os Estados Unidos, permitiram-lhe contar com o apoio da população durante muito tempo. Além disso, sua política na primeira e segunda presidência, foi favorecida pelo crescimento econômico gerado pelo grande aumento da procura européia durante o pós-guerra na terceira presidência, não tinha conseguido recuperar seu poder político anterior. Depois de sua morte o sucedera a vice-presidente.

33. MARTINEZ de Perón, María E. (era conhecida de Isabelita, 1974/1976, Deposta)
Isabelita tornou-se presidente após a morte de seu marido. Ela foi deposta pela junta militar encabeçada por Jorge Rafael Videla em 24 de março de 1976.
José López Rega foi seu ministro de bem-estar social e secretário pessoal, conhecido como “O Bruxo”, exerceu uma quase total influência sobre Isabelita nesta fase do governo. Predominaram os interesses da direita peronista sobre outros grupos sociais. Lopez Rega desviou fundos públicos para o financiamento de uma formação ilegal conhecida como AAA (Aliança Anticomunista Argentina) O grupo paramilitar, empreenderia ações de ataque a figuras destacadas da esquerda que acabariam em atentados, sequestros, torturas e assassinatos. O governo teve atitude de controle rigorosa em várias províncias dissidentes, universidades, sindicatos, canais de televisão privados. Reforçou a censura. Durante este período se viveram situações marcadas por um notório obscurantismo e uma quase completa inoperância administrativa em todos os níveis do governo.
A economia também sofreu danos severos, com uma inflação importante, uma paralisação dos investimentos de capital, a suspensão das exportações de carne para a Europa e o início do crescimento incontrolável da dívida externa. A suspensão das compras de carne argentina pela Europa piorou a situação.
Em 1975 aplicou uma violenta desvalorização da moeda acompanhada de aumentos de tarifas; o chamado Rodrigazo, foi parte do plano de López Rega para debilitar as pressões sindicais provocou entretanto a primeira greve geral contra um governo peronista, López Rega se viu obrigado a renunciar a seu cargo e abandonar o país.
Devido à crescente atividade dos grupos de esquerda, os peronistas chamados de Montoneros como outros de linha marxista, e de extrema direita, decidiram fortalecer a ação repressiva de governo. Renovaram a cúpula militar, designando a Jorge Rafael Videla para o comando do Exército Argentino. Tudo como parte de um programa de endurecimento do controle, que incluiu também o fechamento de publicações opositoras. A decisão de recorrer à força militar desembocou na assinatura do decreto que dá início ao chamado Operativo Independencia, a intervenção das forças armadas na província de Tucumán que deu início à chamada Guerra Suja na Argentina. Martínez pediu licença do cargo durante alguns dias, deixando o exercício ao presidente provisional do Senado Ítalo Luder.
A pressão militar ia crescendo, expressou-se em um levantamento da Força Aérea controlado a duras penas, Martínez se negou reiteradamente a renunciar, anunciou a antecipação das eleições presidenciais. Entretanto, o golpe de estado já era, estava orquestrado pelos líderes das três forças, constituídos em Junta Militar, puseram fim a seu governo e assumiram como Proceso de Reorganización Nacional.
Acusada de malversação de fundos, Martínez foi posta em prisão domiciliar em Neuquén e depois em San Vicente, província de Buenos Aires. Foi investigada pela Comissão Nacional de Recuperação Patrimonial acerca de atos de corrupção.

34. VIDELA, Jorge Rafael (1976/1981 Governo de fato)
Derrubou à presidente María Estela Martinez exerceu uma cruel ditadura com violações aos direitos humanos. Foram desaparecidas 30 mil pessoas, roubadas crianças e também cometeram delitos econômicos.
Nos primeiros tempos, estiveram no “Proceso de Reorganización Nacional”, Videla-Massera-Agosti. Os militares estiveram treinados na Escola das Américas, estavam preparados para a luta interna com o objetivo de impedir a chegada ao poder regimes de esquerda.
Cámpora refugiou na Embaixada do México em Buenos Aires, aí permaneceu por mais de três anos até que lhe foi dada permissão para voar ao México, onde morreu pouco depois.
Martínez de Hoz conduziu a economia durante a presidência de Videla. Suas medidas econômicas, baseadas na abertura dos mercados e no desmantelamento da legislação trabalhista vigente, contribíram para o desmantelamento dos sindicatos e a polarização das diferenças de classe, ele mesmo argumentou que as atividades repressivas do “Proceso” foram necessárias para conter o descontentamento popular pelos resultados econômicos. Devido às medidas tomadas a dívida externa se multiplicou por quatro.
Entre as três forças armadas, pela necessidade de ter o poder, provocaram-se tensões. Produziram-se mudanças, fora afastada do cargo a junta do governo e substituída por outra que na presidência estava o Chefe do Estado Maior do Exército, Roberto Viola

35. VIOLA, Roberto E.(1981/1981, Governo de fato)
Exerceu a presidência da Nação continuando com os mesmos lineamentos, foi removido aos poucos e sucedido por Galtieri.
Na democracia foram julgados, condenados a prisão perpétua e destituídos do grau militar por numerosos crimes cometidos durante seu governo.

36. GALTIERI, Leopoldo F.(1981/1982, Governo de fato)
Assumiu em dezembro e para conter o descontento popular pela situação política e econômica, assim desviava a atenção do povo, declarou a guerra Inglaterra pela soberania das ilhas Malvinas. O fracasso dessa aventura, proposta por esse militar bêbado, foi estrepitoso.
Foi condenado pelo Conselho Supremo das Forças Armadas no governo de Alfonsín, e indultado por Menem, morreu cumprindo prisão domiciliaria.

37. BIGNONE, Reynaldo B. (1982/1983 Governo de fato)
Não tendo a guerra para desviar a atenção, não teve como pôr freio ao descontento popular.
As manifestações indicavam que era inevitável o retorno à democracia, então tentou condicionar: Não se investigariam os crimes da chamada Guerra Suja, proposta rechaçada pelos partidos políticos e a população toda.
Foi julgado na época de Alfonsín nos casos de detenções, sequestros, apropriação de filhos de desaparecidos, foi preso pelos crimes cometidos.

38. ALFONSIN, Raúl Ricardo (1983/1989)
O advogado radical venceu nas urnas. Foi opositor obstinado do regime militar.
Restabeleceu a plena vigência das instituições republicanas e dos direitos e garantias constitucionais. Os máximos responsáveis pelas violações aos direitos humanos durante o regime militar foram julgados e condenados pela justiça.
Setores militares e integrantes de seu partido fizeram pressão então impediu o julgamento de outros responsáveis promulgando as leis de "Ponto Final" e a de "Obediência Devida" leis que foram consideradas nulas pelo Congresso nacional em 2003 e inconstitucionais pela Corte Suprema de Justiça.
Assinou o tratado de Paz com Chile por esse disputa a Argentina esteve a ponto de ir à guerra em 1978.
A inflação foi de 343% em 2008 e, superior a 3000% em 1989. Propôs ao Presidente-eleito do Brasil, Tancredo Neves, iniciar um processo de integração entre os dois países "para fortalecer a democracia, afrontar a dúvida externa assim possibilitar a modernização produtiva", proposta que foi bem recebida pelo brasileiro.
José Sarney dedicou-se ao projeto de integração, juntamente com seu par argentino.
Alfonsín renunciou à presidência cinco meses antes de terminar seu mandato ante uma situação social insustentável. Sucedeu-lhe na Presidência Carlos Saul Menem, que já tinha sido eleito.
Nas urnas saiu vencedor Carlos Menem.

39./40. MENEM, Carlos Saul (1989/1995 Cumpre seu período)// (1995/1999 Cumpre seu período)
Pela Reforma constitucional combinada com Alfonsín pôde ser eleito outro período de 4 anos, assim, seu governo foi de dez anos.
Menem foi muito criticado pela corrupção no seu governo, o seu perdão aos ex-ditadores Videla, Massera, Galtieri e outros criminosos condenados.
Sua política econômica levara à taxa de desemprego de mais de 20 por cento e a uma das piores recessões da Argentina, embora eficaz no combate à inflação. Falou-se da duvidosa investigação no atentado da Embaixada israelita, da AMIA (comunidades judaicas) onde morreram 85 pessoas, da venta ilegal de armas ao Equador. No ano 1995 morreu seu filho Carlitos em um suposto acidente, mais surgiram teorias que falam de um assassinato.
O ministro Domingo Cavallo introduziu uma série de reformas e colocou o valor do peso argentino em paridade com o dólar americano, privatizou os serviços de utilidade pública (incluindo as companhias petrolíferas, os correios, telefone, gás, eletricidade e água). A inflação pôde ser domada e levada a praticamente zero por um afluxo de investimentos de fundos estrangeiros e pelas ventas do patrimônio Nacional. Os empréstimos do Fundo Monetário Internacional tiveram efeitos desastrosos sobre a economia argentina.
As políticas neoliberais foram também criticadas pela esquerda do espectro político argentino e por alguns elementos da Igreja Católica, e deram origem ao movimento de trabalhadores desempregados “Piquetero”.
Durante a administração de Menem as questões fronteiriças com o Chile foram resolvidas pacificamente e se eliminou o serviço militar obrigatório nos jovens de 18 anos.
Ante a impossibilidade de se apresentar para um terceiro mandato em 1999 o candidato foi Duhalde que foi vencido pelo radical Fernando de la Rúa

41. DE LA RUA, Fernando (1999/2001, Renunciou)
Tinha sido chefe RADICAL de governo da Cidade de Buenos Aires, cargo de eleição depois da Constituição de 1994. Apresentou-se em aliança com FREPASO (agrupação de partidos opositores ao “menemismo”). A campanha foi contra a frivolidade da época anterior e sua vitória, deveu-se ao forte repudio do povo à Menem.
As medidas do governo prejudicaram aos setores médios ao instrumentar o aumento impositivo e a setores menos favorecidos. Por meio de um decreto tentaram fomentar o desenvolvimento fazendo caminhos, vivendas... Em outubro renunciou o vice-presidente fazendo denuncias de corrupção.
Acudiu novamente ao FMI e aos bancos privados para o pagamento de dúvidas. Um plano de ajuste levou-lhe a baixar os salários um 13% (até aos aposentados). Decretara-se também a “intangibilidade dos depósitos”.
A situação política era desfavorável, realizaram-se greves e “piquetes” ocasionando cortes de ruas.
As pessoas começaram a sacar os seus depósitos dos bancos, então “congelaram os depósitos” os dinheiros não podiam se retirar. A medida, violava ao a lei de “intangibilidade dos depósitos” ditada por eles mesmos.
A situação social tornou-se incontrolável, saqueios, desmandos... Muitos viviam da permuta de coisas e de alimentos.
Começou uma aliança entre as classes médias com os excluídos, esse romance não era de longe duração. Decretou-se o estado de sítio mais não foi respeitado pela população que saio às ruas... Os grêmios chamaram à greve...
O mandato era até 2003, embora, de la Rua renunciou o 20 de dezembro de 2001 em meio de uma revolta popular provocada pelo aumento da pobreza (tinha-se triplicado), que causou mais de 30 mortos,
A Assembléia Legislativa determinou que fosse sucedido por Ramón Puerta.
Um caos político sem precedentes levou que se sucederam na presidência Adolfo Rodriguez Saa, Eduardo Camaño e finalmente Eduardo Duhalde em só poucos dias.

42. PUERTA, Ramón (2001/2001)
Entrega o mando ao Presidente elegido pelo Poder Legislativo

43. RODRIGUEZ SAA, Adolfo (2001/2001, renunciou)
Declarou a Argentina insolvente para enfrentar os pagamentos. Pessoas com imagem negativa estavam no governo e o descrédito levou a sua renúncia, só foi presidente 7 dias.
Assumiu interinamente Eduardo Camaño.

44. CAMAÑO, Eduardo (2001/2002)
Foi presidente em tanto a Assembléia Legislativa elegia ao novo.

45. DUHALDE, Eduardo (2002/2003)
Foi a quinta pessoa em ocupar o cargo em apenas duas semanas. A decisão foi tomada pela sessão conjunta do Senado e Câmara, foi eleito no meio do caos nas ruas de Buenos Aires, Rosario e outros pontos do país.
Ficou pouco menos de dois anos na Presidência, cumprindo o restante do mandato do ex-presidente Fernando de la Rúa até 10 de dezembro de 2003.
As eleições presidenciais marcadas pela Assembléia Legislativa para março de 2002 ficaram canceladas. Entre as medidas desse governo de transição, estiveram a desvalorização da moeda, que deu fim à convertibilidade, a “pesificação” forçada dos depósitos bancários em moeda estrangeira, e distribuição de planos sociais para atenuar os efeitos de uma economia em recessão que tinha incrementado a pobreza e indigência até índices nunca vistos antes na Argentina. Seu plano econômico, permitiu que a economia argentina mudasse em alguns aspectos embora os depositantes resultaram seriamente prejudicados ao descumprir a promessa eleitoral de "o que pôs dólares receberá dólares" o que não cumpriu.
Os piquetes continuaram e na estação ferroviária de Avellaneda por repressão da polícia morreram dos jovens assassinados, ademais de muitos feridos. Ante o impacto gerado, Duhalde antecipou seis meses o chamado a eleições presidenciais e anunciou que não ia voltar a se apresentar, assim como decidiu dar apoio a Nestor Kirchner quem resultou eleito presidente. Uma vez na presidência e depois de um bom período inicial, Kirchner enfrentou-se politicamente a Duhalde derrotando-o na província de Buenos Aires nas eleições legislativas de outubro de 2005.

Néstor Kirchner cumpriu su período (2003/2007)
Cristina Fernández (2007/continua)

Hilda Mendoza
Criação pessoal baseada em livros de História, sindo seus autores Milcíades Peña, Rodolfo Puiggrós, Felipe Pigna, Robert A. Potash. Alain Rouquié, Mario Rapoport

sábado, 3 de julio de 2010

O Brasil e a Argentina. Texto 9 : A Argentina 1930-1966

O período que começou com o golpe militar que derrocou ao presidente Hipólito Yrigoyen, conhece-se na Argentina como a “Década Infame” assim como se disse que termina com o golpe militar que derroco ao presidente Ramón Castillo.
Na realidade, foram quase 73 anos vis. Neste período poucos presidentes eleitos democraticamente cumpriram o período para o qual foram escolhidos e outros apenas estiveram em seu posto.

14. URIBURU, José Félix (1930/1932, Governo de fato)
O golpe militar de setembro de 1930 acabou um período de paz interior, progresso e organização política. As forças armadas encabeçaram por primeira vez o poder político. Tinham tido intervenções na “Semana trágica” (1919) e na repressão aos trabalhadores da Patagônia (1922) mais não em forma tão organizada. A igreja católica voltou outra vez à vida política. O poeta Leopoldo Lugones fez a redação da proclama revolucionária.
As províncias perderam autonomia, não se respeitou à Constituição, instaurou-se a tortura, tiveram pessoas apressadas por política, os jornais eram controlados, as universidades perderam a autonomia. Anularam-se as eleições na província de Buenos Aires onde ganhara a UCR.
Convocaram a eleições com partidos proibidos e fraude, ganhou Agustín Justo.

15. Justo, Agustín P. (1932/1938)
Justo tinha apoiado a revolução de 1930. O novo governo teve que enfrentar uma situação econômica e social difícil com inquietude política, os radicais conspiravam ativamente. O assassinato de um coronel determinou a implantação do estado de sítio. O ex-presidente Yrigoyen e outros radicais foram apressados.
Há medidas de avanço criam-se associações de comércio, de responsabilidade, inauguram-se às ruas diagonais Norte e Sul, pavimentou a Av. General Paz . Criaram-se a Junta Nacional de Grãos, à de Carnes, o Banco Central, fiz-se o monumento a Bernardino Rivadavia, fez-se o primeiro re-censo industrial.
Não logrou o apoio dos partidos políticos opositores nem do radicalismo nem outros.
A morte de Yrigoyen provocou uma manifestação opositora, foram apressados vários radicais.
Deram-se tratamento especial às empresas inglesas radicadas na Argentina, ao qual Roca disse que Argentina era domínio inglês. Os trabalhadores da carne, tinham tido um conflito muito importante e participaram de graves e assassinaram a um senador que os apoiava.
Os mortos e feridos se contaram por dezenas nas eleições para o próximo presidente, com o radicalismo dividido venceu Ortiz, candidato da mesma ideologia.


16. ORTIZ, Roberto M. (1938/1942, Renunciou)
Ortiz apoiou ativamente o golpe militar do ano 1930 e foi ministro de Justo. Tentou algumas reformas, mais adoeceu de diabetes e ficou quase cego, teve que pedir licença.
Estalaram escândalos na venta das terras de “Palomar” onde se faria uma ampliação da base militar, nessa venta detectaram corrupção com integrantes do governo. As investigações foram por conta do Alfredo Palácios (primeiro deputado socialista). Finalmente consideraram que Ortiz foi inocente. Muitos radicais estavam no parlamento pelas reformas que tinha impulsionado Ortiz.
A saúde de Ortiz empiorou e apresentou sua renúncia.

17. CASTILLO, Ramón S. (1942/1943, Deposto)
Criou a “Frota Mercante Nacional”, nacionalizou-se o porto de Rosário e a estrada do Estado (hoje Gral. Belgrano), construíram-se a Av. Gral. Paz e Fabricações Militares. A guerra na Europa agravou os problemas econômicos, a pesar das pressões dos EUA o presidente manteve no princípio a neutralidade argentina no conflito, depois tomou partido contra da Alemã. Em junho de 1943 uma revolução militar o afastou do governo.


18. RAMIREZ, Pedro Pablo (1943/1944, Governo de fato)
Os radicais pensavam que era seu candidato mais ele participou do golpe que depôs a Castillo. Governou só sete meses. Reprimiu setores sociais e políticos, dissolveu o Congresso, os partidos políticos, limitou a ação sindical e universitária. Ordenou a rebaixa de alugueres. Criou a Policia Federal Argentina. Fiz a exploração das minas de enxofre na província de Salta. Criara o Fundo de Crédito Industrial.

19. FARRELL, Edelmiro (1944/1946 Governo de fato)
Participou no golpe de estado de 1943. Desempenhou os cargos de Ministro de Guerra e Vice-presidenta da Nação até que Ramirez foi removido. Nessa data assumiu como Presidente.
Neste governo se destacou quem fora três vezes presidente dos argentinos, Juan Domingo Perón, primeiro dede o Ministério do Exército e logo desde o Ministério do Trabalho. Aliou-se com sectores do sindicato socialistas e revolucionários. Tomou muitas medidas que favoreceram aos trabalhadores. Foi popular com eles mais os setores da oposição respondendo a Braden (embaixador de EUA) fizeram uma oposição forte. (O lema era Braden ou Perón) Foi destituído e aprisionado. Um movimento de trabalhadores na Praça de Maio fez que fosse libertado em 17 de outubro.
As medidas foram: Regulamentaram-se os estatutos dos partidos, políticos, do peão, dos jornalistas, estabeleceram-se o salário 13, criara-se a Justiça Trabalhista aprovando muitas leis apresentadas pelos socialistas (no parlamento eram vetadas, mais decretava) por isso tinha inimigos entre os industriais e os pecuários. Às pessoas do interior e de países limítrofes chegaram para as cidades (os chamados de “Cabeçinhas negras”). Criaram-se as escolas técnicas, com as medidas Perón acumulava poder.

20. 21. PERON, Juan Domingo (1946/1951, Cumpriu seu período) Segundo período (1951/1955, Deposto)
Seu pai foi de família de militares e sua mãe era filha de pedreiro descendente de espanhóis e índios. Seus pais se casaram quando o menino tinha seis anos.
Desde a Presidência continuou com as políticas sociais que beneficiaram aos trabalhadores e a empresariado nacional. Substituíram-se as importações, inverteu-se na agricultura, nacionalizou-se o comércio exterior. Surgiu o conflito com os produtores já que o governo comprava desvalorizado para manter os preços.
Desarrolhou-se a indústria de aparelhos e automotora. Compraram-se os trens.
Os filhos das classes médias e trabalhadoras tiveram ingresso por primeira vez às escolas de ensino médio, manteve-se o ensino religioso até 1954.
Os opositores estavam irritados pelos livros das escolas que tinham grosseiras publicidades governamentais, foi obrigatório o livro de Eva Perón, sua mulher, nas escolas.
No contexto internacional, não era apoiado pelos intelectuais, disseram que Perón era um militar pro nazi por permanecer neutral na guerra.
O anti-peronismo não nasceu como oposição às medidas sociais e econômicas senão no apoio aos aliados.
Foram controladas as atividades dos estudantes universitários, criaram-se as faculdades de Direito (advocacia), Arquitetura e Odontologia, a Universidade Tecnológica. Estabeleceram-se a gratuidade do ensino, isso triplicou o número de alunos. O cientista Premio Nobel Bernardo Huussay teve que ir embora por tenções com o governo.
Criaram-se um sistema de saúde social e preventivo. Nos hospitais, se duplicaram os números de camas. A mortalidade de crianças passou de 80,1 por mil a 66,5 por mil, a esperança de vida passou de 61,7 anos a 66,5.
Sua mulher, Eva Duarte de Perón, colaborou na gestão com una política de ajuda social e apoio aos direitos políticos da mulher, que por primeira vez tiveram o direito ao voto.
Neste período começaram os problemas com o papel dos jornais, com os jornalistas e com os donos dos jornais, todos se tornaram opositores. Compraram-se vários jornais e rádios monopolizando a informação.
Os enfrentamentos entre seguidores e adversários foram constantes, perseguiram-se aos comunistas e aos opositores todos. Muitos intelectuais se exilaram no Uruguai, outros eram humilhados assinando para eles postos de inferioridade intelectual.
No ano 1953, em um ato sindical na Praça de Maio, um comando opositor acanhoneara a praça deixando mortos e uns cem feridos. No ano 1955 um grupo formado por militares e civis, organizara um golpe, Miguel Angel Zavala Ortiz, radical, estava entre eles. O golpe fracassou mais nos bombardeios morreram 364 civis e houve 800 feridos. Desencadearam-se assim uma persecução aos opositores morrendo alguns deles em torturas.
Os acontecimentos terminaram com o derrocamento de Perón e o começo da ditadura militar apoiada pelos opositores.
Resumo:
Assim como Juan Domingo Perón foi "ganhando" simpatizantes (em sua maioria pertenciam à classe trabalhadora), ao outorgar benefícios sociais para a maioria da população, paralelamente surgiu um grupo oposto a ele, cada um com motivos próprios. integrado por:
setores econômicos (pecuários e industriais),
setores medios,
setores de las Fuerzas Armadas,
partidos políticos opositores,
a Igreja Católica.
Esses setores que formaram uma aliança e Perón foi derrocado pela “Revolução Libertadora”, o objetivo: “desperonizar” a sociedade (até se proíbe a pronuncia de seu nome, e é chamado de tirano deposto).


22. LONARDI, Eduardo.(1955/1955, Governo de fato) // 23. ARAMBURU, Pedro (1955/1958, Governo de fato)
Para “desperonizar” à sociedade, puseram-se em execução dois potentes medidas:
A proscrição do Partido Peronista, e a proibição da atividade sindical, derrogaram a Constituição de 1949 e em um chamado a Assembléia se volta à Constituição de 1853, é a Constituição de 1957.
Os setores peronistas não tinham possibilidade de se expressar, nas eleições votaram em branco.
O exército estava dividido mais manejou a política, muitas empresas estrangeiras se instalaram no país. Os civis opositores se manifestaram em locais reduzidos e dividiram-se os radicais.
Pelas medidas impostas os assalariados iniciaram conflitos sociais e os enfrentamentos eram muito fortes.
Em 1958 convocaram a eleições, e com os votos peronistas ganha Arturo Frondizi (tinha tido um acordo com Perón)

24. FRONDIZI, Arturo (1958/1962, Deposto)
O acordo era assim, os peronistas votavam a ele, e depois Frondizi anularia a proscrição do peronismo. Nesse período trata-se de fomentar a estabilidade política e econômica, se renovaram os conflitos com muita inflação e estancamento da economia. Os sindicalistas estavam em contato com o governo enquanto os militares estavam opostos. Nas eleições a governador em Buenos Aires, ganha um peronista apresentado pelo partido de governo. O governo é intervindo e outro golpe militar coloca esta vez a Guido na presidência.

25. GUIDO, José Maria (1962/1963)
Nas eleições de maio triunfa o peronismo mais serão anuladas. No peronismo se começaram a diferenciar dois setores, um de esquerda combativo e outro de direita que propunha o novo peronismo com Perón no exílio. Em 1963 chama-se a eleições com o peronismo proscrito, y ganha o radical Arturo Illia com o 25,14 % do total de votos (o 18,82% foi em branco, outros radicais tinham o 16,41 %)

26. ILLIA, Arturo Humberto (1963/1966, deposto)
Foi um governo débil que não dominava seu partido, o chamavam de lento, na Praça de Maio os opositores liberaram tartarugas... Tinha muitos conflitos com os estudantes que ocupavam as escolas e universidades.
Os cientistas fugiram do país… Os conflitos eram muitos, apresentou ao Congresso uma lei de medicamentos para sua regulação. Ele ganhara mais inimigos com a lei. Os primeiros movimentos guerrilheiros apareceram no norte.
No ano 1965 se fala de fronteiras ideológicas, onde se associavam distintos países para combater ao comunismo enquanto o peronismo participou com outro nome nas eleições.
O General Onganía começa sua intervenção para a liberação do país dos comunistas. As greves eram frequentes e se produzira o golpe preparado. Assume a presidência Juan Carlos Onganía.
Hilda Mendoza
Criação pessoal baseada em livros de História, sindo seus autores Milcíades Peña, Rodolfo Puiggrós, Felipe Pigna, Robert A. Potash. Alain Rouquié, Mario Rapoport

O Brasil e a Argentina. Texto 7 : A Argentina 1880-1930

Os políticos que se desempenharam no final do século XIX foram chamados da geração “do 80”. Nessa época,a Argentina foi consolidada como país agro-exportador, liberal e positivista. No mercado internacional foi produtor de matérias primas, vinculado ao comércio inglês.
A pampa úmida oferecia vantagens para produzir as matérias primas e os alimentos que a Europa precisava cada vez em maior quantidade. O aumento das exportações entre 1880 e 1914 foi do índice, de 50 a 500 milhões de pesos oro. A isso se somou a cria de gado, também se exportaram ovelhas e bois.
A introdução do frigorífico abriu a possibilidade de colocar no mercado externo não só couros, crinas e outros derivados animais, senão também carnes conservadas ou esfriadas, o ciclo da lã que tinha começado em 1850 estava finalizando.
Os governos tinham promovido campanhas para chegada de imigrantes da Europa. Eles vieram em massa aproveitando os benefícios para radicação de estrangeiros.
As terras na pampa úmida tinham sido desabitadas, e “pacificadas”. Foram-se criando novos povos de imigrantes: os colonos que aproveitando as novas estradas se dedicavam às atividades agrícolas, era a “pampa gringa”.
A paisagem rural tinha cambiado, as propriedades eram de diferentes tamanhos, pequeninas no interior, e imensas no Buenos Aires. Os donos das grandes propriedades moravam nas cidades e alugavam parte de suas terras, o arrendatário se encarregava da exploração.
Nas cidades a população era heterogênea, além da elite de proprietários das terras, alojavam-se grandes comerciantes, banqueiros, políticos. Os setores médios cresciam e se desenvolviam ao ritmo da economia. Maestros, profissionais em ascensão, empregados públicos foram os principais beneficiários de um sistema educativo que se estendeu em forma livre e gratuito. Mais também estavam os que foram menos beneficiados. Operários, artesãos, trabalhadores que se converteram em protagonistas dos principais conflitos sociais gerados no período.
Os trabalhadores se organizaram em grêmios com a filiação ideológica trazida dos países de origem, anarquistas ou socialistas, e reclamaram desde fins do século XIX melhores condições de trabalho, melhores salários e melhores condições de vida, lembremos que eles viviam amontoados nos quartos de aluguer, com cozinha e banheiro compartilhado. Os governos proibiam as agrupações, e abriram um buraco entre os trabalhadores e as classes políticas. O conflito terminou coma lei do voto universal em 1912.
O desarrolho industrial estava limitado pelo modelo de país agro-exportador, e se relacionaram com os frigoríficos e molinhos de farinhas. A indústria alimentaria destinada ao mercado interno cresceu e foram importantes as fábricas de fidéus, de bolachas, de cerveja, de vinho, de açúcar. Os artesãos eram carpinteiros, sapateiros, costureiras, alfaiates.

Características da economia:

• Dependência econômica: os centros europeus tinham poder de decisão sobre a organização da produção.
• Latifúndio como unidade de produção agropecuária. Dos imigrantes, só 1/4 ficou na pampa, os outros moraram nas cidades. Os donos dessas terras, atuaram associados a capitais estrangeiros.
• Intervenção do estado para o funcionamento do modelo garantindo a livre circulação de capitais, construindo estradas unificadas no porto de Buenos Aires para facilitar a exportação, estimulando a imigração (tinham um sistema de subvenção para os imigrantes), organizando o sistema jurídico e monetário.
• Participação de capitais estrangeiros nos transportes e na comercialização de produtos.
• As regiões cujas produções não se exportavam começaram a depender da economia da “pampa” ocasionando desequilíbrios regionais (açúcar em Tucumán, vinho em Cuyo)

Com a crise de 1890 o endividamento foi importante afetando o sistema todo. Começaram as greves, as ações da bolsa caíram, quebrou o sistema bancário. Aumentaram-se os preços dos alugueres dos campos e muitos não podiam se pagar. Os colonos foram as grandes cidades abandonando as terras alugadas.
Se funda a “União Cívica radical” que será oposição questionando o regime oligárquico e o primeiro partido político moderno.
Nos primeiros anos do século XX, começou a se exportar carne congelada, aportando benefício importante e produzindo enfrentamentos entre pecuários e industriais. Enfrentamentos jamais concluídos. Instalaram-se as primeiras fábricas modernas.
Os habitantes se integrarão a associações de seus países e não participarem das questões políticas. A primeira federação obreira se forma em 1901.
Em 1896 Juan B. Justo fundou o partido socialista que se enfrentou com a UCR por diferenças ideológicas. Nessa época, a UCR foi um partido de classes médias e o PS defendia interesses dos trabalhadores.
Dom Hipólito Yrigoyen foi o primeiro presidente não pertencente à oligarquia que foi eleito em 1916, ele pertenceu à UCR.
Esta transformação dá origem à Argentina moderna.
13 Presidentes:
• 1. Roca, Julio Argentino 1880/1886
• 2. Juarez Celman, Miguel 1886/1890 (renunciou)
• 3. Pellegrini, Carlos 1890/1892
• 4. Saenz Pena, Luis 1892/1895 (renunciou)
• 5. Urtiburu, José E. 1895/1898
• 6. Roca, Julio Argentino 1898/1904
• 7. Quintana, Manuel 1904/1906 (morreu)
• 8. Figueroa Alcorta, J. 1906/1910
• 9. Saenz Pena, Roque. 1910/1914
• 10.de la PLAZA, Victorino 1914/1916
• 11.Yrigoyen Hipólito 1916/1922
• 12.de ALVEAR, Marcelo T. 1922/1928
• 13.Yrigoyen Hipólito 1928/1930 Foi deposto

martes, 22 de junio de 2010

O Brasil e a Argentina. Texto 5 : Século XIX na Argentina

1810 - 1890
No ano 1810, o primeiro ato de alguns membros da Junta de Governo foi tentar ser independentes do poder espanhol.
Na junta, já estavam representados os dois grupos que fariam a história argentina.
Moreno e Saavedra estiveram frente a frente. A questão apresentada tinha duas soluções possíveis a independência imediata ou manter o mesmo sistema comercial, eles foram seus representantes.
Os mais vigorosos impulsores da Revolução de Maio (Belgrano, Castelli, Moreno e Paso) influídos pela Revolução Francesa, desejavam a liberdade de comércio, pois a metrópole não permitia o desenvolvimento da colônia.
Os escritos de Moreno, apoiados pela maioria dos intelectuais da época, ainda são vigentes.
O General Saavedra, tinha pouca afeição pelos escritos e pela filosofia, quase não temos escritos seus. Nessa disputa saiu vencedor. Moreno partiu em missão diplomática para a Inglaterra e morreu misteriosamente,...
Nos tempos seguintes, vários foram os intentos de se organizar e muitas as lutas.
San Martín e Belgrano tiveram destaque por suas idéias de unidade e federalismo, mas cada região defendia seus interesses sem idéia de unidade, Buenos Aires não tinha interesse na unidade, era uma cidade poderosa e por seu porto passavam as mercadorias todas.
As pessoas se substituíram sem poder real enquanto, em 1816 se dita a Independência Formal, mais nos fatos não foi.
O caos jurídico e a administração desorganizada prejudicavam qualquer intento de independência real.

Em síntese várias eram as lutas, Buenos Aires de frente às províncias, os europeus de frente aos nativos, as províncias com seus caudilhos enfrentados, as províncias enfrentadas entre elas....
Estas lutas internas devoravam os recursos e o nível de vida tinha caído muito.
Os saqueios eram permanentes, a perda de vidas, e de bens provocadas pelas guerras civis devastavam as famílias.
A economia tinha começado com uma integração ao mercado mundial exportando produtos agropecuários. Inserção dependente.
A partir de 1850 na Europa industrializada se necessitavam lãs, a exportação permitiu modernizar as fazendas, aramaram-se os campos, instalaram-se moinhos de água e todos os progressos da época.
Os donos moravam nas cidades, nas fazendas os trabalhadores.
A pesar dos acordos e patos entre províncias e caudilhos, a organização começou depois da Batalha de Caseros em fevereiro de 1852 onde Urquiza, chefe do litoral, vence a Rosas chefe do governo de Buenos Aires. Não foi pela unidade, foi guerra de chefes...
Em 1853 se dita a Primeira Constituição, jurada por 13 províncias. Esta Constituição, repetidamente violada, foi referência, mas Buenos Aires funcionava como estado aparte, era independente...
A partir do 1854 começou um período mais estável e presidencialista sendo eleito Justo José de Urquiza, a capital de “La Confederación Argentina” ficou no litoral, em Paraná.
Foi incentivada a imigração européia para tarefas agrícolas, estabeleceram-se três novas alfândegas e liberaram-se as navegações dos rios para o comércio internacional, enquanto Buenos Aires dita sua Constituição.
As tropas da Confederação derrotaram a Buenos Aires e se nacionalizou sua alfândega.
Com a designação de Domingo Faustino Sarmiento como Diretor de Escolas em 1856, fez-se do ensino público gratuito um instrumento do avanço.
O crescimento escolar foi avassalador.
O aumento do gasto, as dívidas, a queda das importações criaram uma crises muito importante já que a economia dependia das importações e estas, descenderam à metade.
As pessoas tinham desconfiança nos bancos e eram muito reduzidos os depósitos.
Com a chegada massiva dos imigrantes se começou a povoar o território e mudou a composição da população. Ingressaram mais de três milhões de pessoas em sua maioria italianos, espanhóis, alemãs, ingleses, russos, polacos, sírios... Mais de 70 % dos imigrantes morariam em Buenos Aires, os outros dariam origem às grandes cidades do litoral, Cordoba e Mendoza enquanto as províncias do norte ficariam com povoações nativas.
Quase terminando o século, a Igreja que era muito influente, teve conflitos com os habitantes, muitos dos quais não eram católicos, tinham vindo muitos anarquistas ateus da Itália e da Espanha.
As famílias ricas tinham-se afastado da cidade de Buenos Aires pela febre amarela, suas casas foram aproveitadas para se alugar. As casas tinham muitos quartos, em cada um morava uma família imigrante e compartilhavam o pátio e muitas vezes a cozinha e o banheiro. Essas casas eram antigas e, por sua antiguidade, precárias. As pessoas moravam apertadas e o desconforto no dia a dia fazia crescer as saudades e a inquietude. Eles desejavam melhorar seus níveis de vida, vieram com histórias de lutas no sindicalismo europeu e estavam prontos para trabalhar mais lutariam por seus direitos.
Os fazendeiros fundaram a Sociedade Rural Argentina em 1866.

Nos trabalhos do campo predominaram os nativos. Os imigrantes apostavam à acessão social que se lograria sendo colonos, comprando terras, e com a educação de seus filhos. A educação básica na época era gratuita e obrigatória.
Mas as compras das terras tinham limitações, os grandes terratenentes tiveram muitos quilômetros e só as locavam. Por isso, as pessoas não ficavam nos campos e foram às cidades como operários, alguns compravam com créditos hipotecários de muito difícil pagamento.
Os que tinham um ofício lograram a ascensão social tão ansiada e seus filhos lograram ser profissionais ou ocuparam um cargo no estado. Os que ficavam sem trabalho nas cidades se converteram em mendigos.
O modelo de país era agro-exportador, os imigrantes tinham direitos civis mais segundo o modelo proposto, tinham sido convocados para o trabalho e nenhuma outra atividade era-lhe aceitada, as tenções cresciam. No princípio do século seguinte se avizinhavam fortes lutas.

Os conflitos inter-regionais existiram até 1880. Falava-se de unidade, mais sem uma capital nem uma instituição financeira. As elites tinham procedência heterogênea e não tinham espaços formativos comuns, não tinham interesses nem atividades comuns. De essa época, se faloara como de caos social e jurídico, de anarquia.
O voto para presidente não era secreto, obrigatório também não.
Até fim do século se sucederam os presidentes Derqui, que renunciou aos poucos, e terminaram seu período Mitre, Sarmiento, Avellaneda, Roca (1880-1886). Com ele, se acelerou o crescimento econômico, as transformações foram muito notáveis e foi Juarez Celman, seu sucesor, iniciado na política por seu cunhado Roca, quem deu impulso à obra pública mais não pôde manter a estabilidade econômica e unificou aos opositores tendo que renunciar em 1890.
Estes governos todos, liberais no econômico, se caracterizaram pelo desprezo ao nativo, Sarmiento disse: “Não devemos economizar sangue dos gaúchos, é um abono útil para a terra” enquanto seu aporte na educação teve destaque. Acho que é a pessoa mais controversa da Argentina do século XIX.
Roca manejou os filos da política durante mais de 30 anos fazendo complicadas alianças, foi apelidado de “O Zorro”. Participou de todas as guerras nesse período, Buenos Aires e a Confederação, a Guerra do Triplo Aliança, a guerra do Paraguai, na Rebelião Federal... Já em 1878 tinha apresentado um projeto no Congresso da Nação para fazer uma ofensiva contra os indígenas que moravam no sul para ampliar o território. Iniciou a “Campanha ao Deserto”.
A região não tinha povoadores brancos e de civilização européia, os habitantes eram indígenas nômades por isso era chamado de “deserto”.
A lei dizia: “a presença do índio estorva o acesso ao imigrante que quer trabalhar”. Os indígenas foram mortos ou afastados à fronteira com o Chile, uns 10000 nativos foram prisioneiros, as mulheres foram de criadas nas casas... as terras obtidas foram regaladas ou vendidas a políticos importantes. O irmão de Roca, Ataliva, comprou muitas terras a um custo baixo, depois as vendeu por muito mais valor aos colonos... Sarmiento tinha dito: ”O presidente Roca faz negócios e seu irmão ‘ataliva’” querendo dizer que fazia “mordeduras”.
Sobre o tema pôde-se ler o “Informe Oficial da Comissão Científica que acompanhou ao Exército Argentino”.
Desde o ponto de vista econômico, Roca deu prosperidade à nação com aportes do estrangeiro. Criaram-se estradas, como as terras ficavam longe do porto, valorizaram-se com os trens, assim puderam exportar carnes congeladas, couros e produtos agrícolas (milho e outros). Desarrolhou-se o agro, as exportações, se separou a igreja do estado ditando as leis do casamento civil, crio o Registro Civil... Deu impulso à educação... Buenos Aires se transformou em 1881, em Território Federal.
Hilda Mendoza
Criação pessoal baseada em livros de História, sindo seus autores Bartolomé Mitre, Milcíades Peña, José Luis Busaniche, Rodolfo Puiggrós, Felipe Pigna

lunes, 21 de junio de 2010

O Brasil e a Argentina. Texto 3 : Síntese. Século XIX

1808 - 1889
Os movimentos sociais têm ocorrido durante a História da Humanidade toda e variam muito em termos de métodos, duração e motivações. Eles têm podido dar-se em formas pacíficas ou violentas.
Os resultados serão grandes mudanças na cultura, na economia e nos ideários políticos.
Estes movimentos sociais e os desenvolvimentos econômicos determinaram os crescimentos dos países.
BrasilArgentina

Foi um século de governo forte e unificado, onde se promoveu o desenvolvimento econômico, cultural e educacional.
Também se organizou o país juridicamente, promulgou-se a liberação dos escravos, processo vagaroso e imprescindível para o progresso da humanidade.
Transformou-se a sociedade rural e escravista em uma sociedade urbana industrial.




Foi um século de inserção mundial dependente, caos jurídico, lutas pelo poder e estado ausente.
Liberaram-se os escravos nos primeiros anos do século.
Depois de 1860 começou a organização política intervindo somente as pessoas de origem europeu, educadas na Europa ou nas universidades de Chuquisaca ou Córdoba.
Deu-se impulso à educação, elevando-se muito o número de centros educativos. Fez-se o primeiro censo nacional. Criara-se o Teatro Colón e Escolas Militares, de Marina...

Uma síntese mais cumprida será feita no texto seguinte...
Hilda Mendoza
Bibliografia:História do Brasil (Francisco de Assis Silva)
Brasil e Argentina (Boris Fausto e Fernando Devoto)
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sábado, 12 de junio de 2010

O Brasil e a Argentina. Texto 2: A população

A população é um aspeto central à hora de falar dos países, é o que dá coesão aos espaços e lhe dá forma. Cabe destacar que os dois países se abriram à imigração em momentos coincidentes, logo que adquirir autonomia em relação às metrópoles européias.
Uma das consequências da invasão napoleônica na península ibérica foi a fuga da família Real do Portugal para o Brasil enquanto o Rei de Espanha foi prisioneiro e, a futura Argentina ficou sem Rei. Isso marcou uma diferença muito importante na época (acho que esboçou as características futuras dos povos).
O Brasil começou seu desarrolho com a monarquia (1808), enquanto nas colônias espanholas começaram a buscar a independência (1810) e começaram as guerras civis. Elas foram retratadas em forma ótima pelo pintor Cándido López (1840-1912).
Em 1872, os estrangeiros constituíam 30% da população do Rio de Ja¬neiro, enquanto em Buenos Aires, em 1869, já representavam 50%. A distribuição espacial da população se manteve bastante estável nos dois países durante a primeira metade do século XIX.
Do ponto de vista social, dois aspectos importantes são o escravismo e a composição étnica. Em relação ao primeiro ponto, vale assinalar, que a população escrava era muito mais significativa no Brasil.
Na composição étnica da população, assinalarei, que o componente branco foi mais significativo na Argentina, não obstante a coexistência, em ambos países, de negros, índios e mestiços os processos foram diferentes.

Brasil. Nos inícios, o Brasil adotou uma ativa política de povoação das províncias do Sul, com colonos provenientes, sobretudo, da Alemanha, Tal política ganharia força nos anos 1820 e 1830. A criação das colônias tinha o caráter estratégico de povoar as regiões contíguas à fronteira mais conflituosa do país. Foi uma imigração centralizada, organizada e subsidiada pelo Estado. As origens foram de monopolio Imperial e os comerciântes provenientes da ex-metrópole eram os que ganhavam espaço sobretudo na década de 1840.
O fluxo inmigratorio, foi mais lento que na Argentina. Há que ter em conta a proporção de escravos que chegaram ao Brasil, muito superior e que só disminuera, por os obstáculos ingleses ao tráfico e do número crescente de alforrias.
Os escravos trazidos do África, sempre buscaram a liberdade, devemos recordar que os povos africanos se recusavam à submissão, à exploração, à violência do sistema colonial e do escravismo surgindo os verdadeiros núcleos de resistência ao colonialismo que representaram uma das maiores expressões de luta organizada pela liberdade: Os Quilombos. Um dos mais emblemáticos foi o de Palmares, resistiu mais de em século.
O tráfico de escravos cresceu durante a década de 1820 e se manteve elevado na seguinte, apesar de ter sido proibido em 1831, por uma lei promulgada cedendo a pressões inglesas, mas que não foi cumprida. O processo de emancipação só ganharia força a partir de 1850, ao se decretar a extinção do tráfico e a Lei do Ventre Livre –lei de relativo benefício-
A abolição definitiva seria em 1888.
O sistema escravista se generalizou a tal ponto que ocupou uma parte essencial na vida social das cidades e dos campos. Os escravos tinham inexistência jurídica como pessoas, e presença na vida social. Havia proprietários de centenas de escravos, concentrados nas grandes fazendas, e, ao mesmo tempo, nas cidades pessoas que possuíam apenas um ou dois escravos. Os cativos desempenharam papéis na esfera produtiva nos latifúndios, nas tarefas domésticas, em atividades urbanas, ... na prostituição a serviço dos senhores... A visão que associou a escravidão à organização da "casa-grande” não pode ser generalizada para todo o país, sendo característica especialmente de algumas áreas do Nordeste. A escravidão produziu, profundas diferenças sociais que se projetaram nos planos políticos e identitários, com repercussão nos sentimentos de integração e pertencimento social. As camadas pobres dos homens e mulheres livres também foram marginalizadas e não tinham participação política até avanzada a organização do país.
Após da extinção do tráfico externo e com o declínio econômico do Norte e do Nordeste, com a implantação da economia cafeeira no Rio de Janeiro e depois em São Paulo, gerou-se um intenso tráfico de pessoas para essas áreas. As migrações internas dos países sempre foram por questões econômicas.
Apesar de competirem em franca desvantagem, mulatos nascidos em liberdade ou alforriados conseguiram, por vezes, romper as barreiras que limitavam a ascensão social, ingressando até na vida política e literária. A questão da mestiçagem produziu no Brasil intensos debates.
Jean Baptiste Debret 1827.
A origem étnica foi também uma barreira para a ascensão social, existia uma massa considerável de escravos excluídos do sistema.
“No Brasil houve entre 1831 e 1835 um longo ciclo de rebeliões populares, envolvenndo conjuntamente setores urbanos e tropas do Exército, no Rio de Janeiro, no Recife e em Salvador. Isso sem contar a Revolta dos Malês, uma grande rebelião de escravos e libertos, majoritariamente muçulmanos, ocorrida em Salvador em 1835, que culminou numa série de conflitos endêmicos” (B e A Boris Fausto, Fernando Devoto).
O tema não está resolvido mas algumas medidas apontam ao melhoramento das condições dos históricamente excluidos.
Brasil, país mixturado não sempre pacíficamente tem povos amantes da liberdade, das consignas moderadas trouxidas da Revolução Francesa... História de lutas e fidelidades as raças sem límites...
Argentina. Ao ter uma junta de Governo, se abriram os portos às nações amigas e depois, se liberalizou o comércio exterior. Promoveram a colonização, através de acordos com agentes intermediários, oferecendo concessões de terras e crédito. As colônias escocesas, alemãs, inglesas,... acabaram por fracassar, pelas guerras civis e as dificuldades econômicas que os colonos tiveram de enfrentar, além de não tiver circuitos de comercialização, ao tamanho das unidades de exploração eram pequenas... O fato foi que nenhuma delas sobreviveu. A imigração de mas susseso foi a de caráter espontâneo, sem planos prévios...
A Primeira Junta de Governo estabeleceu a liberdade de imigração em 1810, o que, favoreceu a entrada de comerciantes europeus, sobretudo ingleses e franceses, que se beneficiavam tanto das liberdades comerciais como do fim do monopólio colonial. Durante a década de 1830 a imigração européia começou a representar números significativos.
Irlandeses, genoveses, bascos e franceses iniciaram o povoamento das cidades, assim como de algumas zonas rurais. Tratava-se, porém, de uma imigração que vinha substituir uma população faltante, mais do que um impulso demográfico novo, não foran integrados os índios na vida sacial.... Na cidade de Buenos Aires de 1855 já os estrangeiros representavam 30% da população.
A escravidão sempre teve importância secundária no sistema produtivo argentino e a redução ocorreu mais rapidamente, a partir da decretação da Lei do Ventre Livre, já em 1813. Além disso, ela diminuiu ainda mais em consequência das crises econômicas e à estrategia dos governos de turno: Os escravos tiveram a proposta de trocar sua escravidão pela participação nas guerras. Ao aceitar, foram os primeiros mortos por pertenecer às primeiras filas nas batalhas.
Em 1854 se decreta a libertação de todos os escravos. Na mesma época, foi decretado o fim da servidão indígena.
O componente branco na população era, não obstante a coexistência, de negros, índios e mestiços.
Cándido Lópes 1866
A característica diferencial étnica entre os dois países tornou-se ainda mais nítida com o incremento da imigração em massa européia, a partir aproximadamente da década de 1870, mais relevante e desordenada na Argentina do que no Brasil.
Os fenómenos foram regionais mais a população se alterou muito en favor dos brancos. Cabe destacar o genocidio emprendido pelo General Roca com apoio dos grandes donos de terra. Matavam aos índios e como testemunha do fato tinham que trazer suas orelhas... asim, os terratenientes ganaram milhoes de hetáreas de terra,... Até a derrota dos índios, o espaço semeado de trigo era de 130 mil ha. Quatro décadas mais tarde, a superfície era de mais de seis milhões de há. Esses poderosos cujas famílias ainda são donas dos médios de produção, dos médios de comunicação, de... Os índios foram afastados à fronteira, sem terras, sem alimentos, sem possibilidades... Formaram parte dos marginados sociais juntos com os europeus que ficaram pobres... Com a melhora econômica nas cidades, esses povos voltaram como trabalhadores não qualificados ou como ambulantes, morando nas favelas perto de seus trabalhos precários, sendo desprezados e discriminados pelos que lograram sobreviver às investidas dos poderosos,... às vezes tão pobres como eles...
A sociedade civil teve um pouquinho mais de igualitarismo social e maiores possibilidades de ascensão no século XX já que a população era majoritariamente livre e, ao mesmo tempo, muito mobilizada, caraterística que continua até nossos dias.
Os que moramos na Argentina sabemos que no dia a dia nos cruzaremos sempre com algúm grupo mobilizado fazendo reclamação... Isso o percebemos agora, nas épocas das furiosas ditaduras não estávamos mobilizados... Dissem que isso se chama de supervivência dos povos...
Hilda Mendoza
Bibliografia:
História do Brasil (Francisco de Assis Silva)
Brasil e Argentina (Boris Fausto e Fernando Devoto)

O Brasil e a Argentina. Texto 1: Os Territórios

Século XIX: Nascerão os dois países
Ambas nascem com territórios enormes, subpovoados e subocupados. A área do Brasil, no entanto, era três vezes maior que a da futura Argentina, têm uma diferença que tem a ver com os respectivos legados coloniais e processos de independência.
Na Argentina, organizaram todos os seus territórios ligando-os a um único porto de saída natural (para a época), de Buenos Aires enquanto Brasil possuía um sistema com diversos portos ligados alternativamente. Isso originou diferentes elites.
A vida no Brasil era mais raquítica que nas cidades espanholas da Argentina, já que a tendência era viver nas propiedades rurais. Na Argentina se criaram cidades onde morariam os propietarios rurais.

Brasil
No momento da independência o Brasil, dominava cerca da metade de seu futuro território.
Em meados do século um terço de seu território eram ocupados por grupos indígenas, menos articulados com a civilização. No Brasil, a relação com os territórios não controlados era menos conflituosa e mais distante no espaço ou tratava-se de grupos sedentarizados.
Esses grupos não constituíam uma ameaça.
O Brasil fora povoado da costa para o interior, e essa penetração le dará à civilização brasileira uma inserção predominantemente litorânea e uma certa continuidade espacial.
As sucessivas economias exportadoras no Nordeste e no Sul, embora destinassem sua produção para o abastecimento das áreas dinâmicas, também constituíam economias de exportação.
O Brasil não tinha nada comparável ao eixo fluvial do Litoral argentino. Existia, o rio Amazonas, que viria a ser uma importante via de comunicação no Norte, sobretudo depois de 1866, quando foi aberto à navegação internacional. Os outros rios eram de difícil navegação natural, e o Estado imperial pouco faria para melhorar sua navegabilidade. Apesar de possuir uma rede hidrográfica muito extensa, fazia pouquíssimo uso dela. Dispunha, em compensação, de um sistema de portos que permitia, ao menos teoricamente, uma comunicação inter-regional.
Essa multiplicidade de portos, no entanto, significava também um potencial desestímulo à unidade.
Com o tempo, isso geraria tensões e competição entre as várias regiões portuárias, redundando no desenvolvimento de interesses regionais conflitantes. Por outro lado, o Brasil possuía um sistema de estradas terrestres melhor que o da Argentina, principalmente nas regiões Sul e Centro-Sul. Nesta, o eixo principal era o chamado Caminho Novo, aberto no século XVIII.
Na primeira metade do século XIX, o Estado brasileiro — e antes o português — investiu muito na melhoria das comunicações terrestres.
As novas estradas brasileiras se concentraram nas proximidades do Rio de Janeiro sede do imperio, oferecendo uma alternativa muito melhor para a comunicação. Os dois maiores centros, Salvador e Rio de Janeiro, tinham dimensões populacionais equivalentes às de Buenos Aires, mas integravam melhor as regiões e as ligavam ao exterior sem, no entanto, favorecer a emergência de um centro unificador.

Argentina
No momento da independência, a Argentina dominava pouco mais de um terço de seu futuro território.
Em meados do século, pouco avançara, com quase metade de seu território ainda em poder dos índios articulados com a civilização por intensos intercâmbios.
Esses grupos constituíam uma ameaça, atacavam os povados jamais tentaram sua inclusão.
A Argentina fora ocupada a partir de seus dois extremos, o Noroeste e o rio la Prata, região que compreende as províncias de Buenos Aires, Santa Fé, Entre Ríos, Corrientes. Houve ainda uma povoação secundária a partir do oeste (Chile), chamado Cuyo. Essas duas zonas principais eram ligadas por uma linha muito estreita, o que tornava mais heterogênea que o Brasil.
Deve-se levar em conta, além da continuidade espacial, as vias le transporte que são articuladoras do espaço. O território era articulado pelas vias marítimas e fluviais que o atravessavam. Dispunha de um eixo fluvial, em torno dos rios da Prata, Paraná e Uruguai, que dava muita coesão uma dessas regiões, a do Litoral, de economia mais dinâmica. Em compencação, carecia de boas vias terrestres que fizessem a ligação desta com a região Noroeste. A mais transitada era a antiga estrada para Potosí, muito precária, embora com um bom sistema de postas, onde se efetuava a muda dos cavalos. Não tinha comunicação entre as diversas sub-regiões. À presença de índios belicosos somava-se a uma total ausência de trabalhos públicos para tornar minimamente seguras e transitáveis outras vias de transporte, como a que ligava Buenos Aires às províncias de Cuyo. Não se fariam estradas, já que as guerras da independência e as guerras civis ocupavam o tempo todo.
A única porta de comunicação do país com o exterior, seu único porto internacional era Buenos Aires, e não era um bom porto natural tornava a tarefa do desembarque de pessoas e mercadorias muito penosa. A geografia urbana prenunciava uma unificação forçada em torno da cidade portuária.
Hilda Mendoza
Bibliografia:
História do Brasil (Francisco de Assis Silva)
Brasil e Argentina (Boris Fausto e Fernando Devoto)