Séculos XIX e XX

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lunes, 5 de julio de 2010

O Brasil e a Argentina. Texto 12. Síntese. Fins do século XIX - Século XX

Nossos países têm percorrido caminhos paralelos. Caminhos traçados pela luta dos povos e pelos interesses alheios...
São tão diferentes e tão iguais...
No século XX, ditaduras muitas vezes sangrentas. Lutas para voltar à democracia. Classes dominantes poderosas muitas vezes aliadas com o poder estrangeiro. Governos populistas que outorgaram melhoras as classes populares. Classes médias aliadas com as poderosas olhando para o estrangeiro.
Mais acho que “essas paralelas têm interseção”: O Mercosul
A luta do século XXI é pela unidade dos países em suas diferenças.
Unidade de critérios para enfrentar os riscos, unidade para o desenvolvimento de seus povos, unidade na defesa das liberdades, na defesa das justiças, na defesa das igualdades nas diferenças, na defesa das diversidades humanas em toda a extensão da palavra...
Hilda Mendoza
O BrasilA Argentina
1889-1930 A República Velha.Este período é marcado pelas revoltas sociais e o Brasil se afirmou como exportador de café. Na política, nos começos governos militares e depois se sucederam governos das elites agrárias e mineiras em forma alternada, por essa alternância se chama de “Política do café-com-leite” o desenvolvimento da indústria foi importante. Cria-se a nova constituição com direitos civis.
As divergências giraram em torno da questão federalista: os civis defendiam o federalismo e os militares eram partidários de um poder central forte.
O Brasil foi dividido em quatro regiões, cada uma delas tinha um banco emissor para solucionar o problema da circulação de dinheiro. Em cada estado existia, uma minoria dominante, que, aliando-se ao governo federal, se perpetuava no poder.
Os fazendeiros ou comerciantes mais ricos eram chamados de coronéis.
Com a proclamação e a adoção do federalismo, os coronéis passaram a ser as figuras dominantes do cenário político dos municípios, seu poder residia no controle que exerciam sobre os eleitores. Todos tinham eleitores cativos e sua importância se media por sua capacidade de controlar o maior número de votos
O esquema da economia tinha sido o seguinte: fazendeiros/comissários/ensacadores/exportadores/importadores/comissários /fazendeiros.
Se modificou quando os importadores se conectaram diretamente com os fazendeiros.
O mercado brasileiro estava em profunda transformação já que modificou também sua forma de atuação, nomearam-se agentes e representantes de vendas pelo interior.
O mercado ficou mais segmentado, mas em compensação, mais livre. Para solucionar o problema da queda do preço, o governo regulou o mercado.
Estabelecia-se, assim, a primeira política de valorização do café.
Surgiram movimentos sociais, uns deles foi o tenentismo, movimento de caráter político-militar, liderado por tenentes, que faziam oposição ao governo oligárquico.
A indústria, que neste período estava em expansão e a política sofreu duras críticas dos empresários ligados à indústria. O movimento conseguiu manter viva a revolta contra o poder das oligarquias, e preparou o caminho para a Revolução de 1930 que alterou definitivamente as estruturas de poder. Liderados por Getúlio Vargas, políticos da Aliança Liberal e militares descontentes, provocam a Revolução de 1930. É o fim da República Velha e início da Era Vargas.
1880-1930
A Argentina foi consolidada como país agro-exportador, liberal e positivista, foi produtor de matérias primas, vinculado ao comércio inglês. As exportações aumentaram 10 vezes. A isso se somou a cria de gado, também se exportaram ovelhas e bois.


As campanhas para chegada de imigrantes da Europa foi uma característica da época.
Os setores médios cresciam e se desenvolviam ao ritmo da economia e um sistema educativo que se estendeu em forma livre e gratuito permitiu a ascensão social.


Os trabalhadores se organizaram em grêmios com a filiação ideológica trazida dos países de origem


O desarrolho industrial estava limitado pelo modelo de país agro-exportador.


Características: Dependência econômica, latifúndio como unidade de produção agropecuária. Os donos das terras atuaram associados a capitais estrangeiros. A intervenção do estado assegurava o funcionamento do modelo garantindo a livre circulação de capitais, construindo estradas unificadas no porto de Buenos Aires para facilitar a exportação, organizando o sistema jurídico e monetário. Os capitais estrangeiros participavam dos transportes e na comercialização de produtos. As regiões cujas produções não se exportavam começaram a depender da economia da “pampa” ocasionando desequilíbrios regionais.

Os dois países neste período têm características históricas comuns. Governos eleitos frouxos com poderes militares fortes.


1930-1964
Os dois países neste período têm características históricas comuns. Governos eleitos frouxos com poderes militares fortes.
Os governos militares estiveram formados por juntas governativas ou governos nomeados por eles, seus representantes no poder. Representantes das classes sociais dominantes.
O Estado Novo foi adequado para uma acumulação primitiva de capital, depois se tornou um obstáculo, e a burguesia passou a querer participar mais de perto nas decisões governamentais. Getúlio era chamado pelos seus simpatizantes de “o pai dos pobres” por o fato de ter criado muitas das leis sociais e trabalhistas brasileiras.
Deve-se destacar a promulgação de uma nova Constituição, cujos traços principais foram o retorno da democracia e a manutenção de inúmeros direitos trabalhistas, a redução da intervenção do Estado na economia; aperfeiçoamento da assistência estatal nos setores de saúde, alimentação, transporte e energia; a adoção de uma política econômica liberalizante, de forma a facilitar o acúmulo de capital às custas de baixos salários, e a expansão das empresas estrangeiras. Esta última medida trouxe reflexos funestos para a economia nacional, de vez que se esgotaram as reservas cambiais adquiridas ao longo da II Guerra Mundial, proibiu-se os jogos de azar no Brasil. Na Política Externa alinhou-se com os norte-americanos na Guerra Fria, enquadrando-se na divisão mundial entre os blocos capitalista e socialista.
Em 1951, com Vargas e sua ideologia nacionalista, intervencionista e paternalista ganhou novo impulso a indústria, procurou restringir as importações, limitar os investimentos estrangeiros no País, impedir a remessa de lucros de empresas estrangeiras instaladas, para seus países de origem, criou-se o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico, procurou compensar os traba¬lhadores, dobrando o valor do salário mínimo. Com isso, conquistou o apoio da classe trabalhado¬ra. A política estatizante, de cunho nacionalista, desencadeou a oposição de empresários ligados às empresas estrangeiras.
Acusaram a Vargas de estar tra¬mando um golpe que estabelecia uma República sindica¬lista, consciente de sua deposição em breve, Vargas sur¬preendeu seus inimigos e a nação, suicidando-se.
Nos anos seguintes registraram-se o mais expressivo crescimento da economia brasileira e se realizavam investimentos no setor industrial a partir da emissão monetária e da abertura da economia ao capital estrangeiro ocasionando desnacionalização da indústria. Consolida-se o capitalismo dependente. A construção de Brasília está compreendida em um ambicioso plano de investimento público. Os conflitos pela inflação e reajustes salariais foram importantes. Às pressões externas, do governo americano e do FMI, condicionaram os empréstimos externos, a adoção de medidas restritivas ao crescimento, embora correspondiam às reivindicações populares e dos setores da esquerda brasileira. Em 1964, em meio às tensões sociais e à pressão externa, precipitaram-se os acontecimentos. uma Marcha que tinha como objetivo mobilizar a opinião pública contra a política desenvolvida pelo governo, conduziria um acordo com seus opositores, ocorreu a Revolta dos Marinheiros, aos poucos se iniciou a movimentação de tropas.
O Golpe de 1964 submeteu o Brasil a um regime alinhado politicamente os Estados Unidos da América.
1930-1966



O período que começou com o golpe militar que derrocou ao presidente Hipólito Yrigoyen, conhece-se na Argentina como a “Década Infame” assim como se disse que termina com o golpe militar que derroco ao presidente Ramón Castillo.



Na realidade, foram quase 73 anos vis. Neste período poucos presidentes eleitos democraticamente cumpriram o período para o qual foram escolhidos e outros apenas estiveram em seu posto.


A luta principal foi pela consolidação política existindo clientelismo. Regulara-se os estatutos dos partidos políticos.


No ano 1944 há medidas sociais que favoreceram aos trabalhadores, classe social que brindou seu apoio, surgindo adversários ao regime.


Começaram os problemas com os jornais, com os jornalistas e com os donos dos jornais, todos se tornaram opositores. Compraram-se vários jornais e rádios monopolizando a informação.


Os enfrentamentos entre seguidores e adversários foram constantes, perseguiram-se aos comunistas e aos opositores todos. Muitos intelectuais se exilaram no Uruguai. Dois bombardeios à Praça de Maio, com muitos mortos civis, marcaram a decisão dos opositores de acabar com o regime e terminaram com o derrocamento do presidente.


Inicia-se a ditadura com a proibição do peronismo que em diferentes alianças está presente, quando não, faz oposições às vezes violentas.





1964-2003

Foi eleito o primeiro presidente civil desde as eleições de 1960, governo que se transformou numa ditadura altamente repressiva, que praticou a tortura e assassinatos de cidadãos a fim de neutralizar e eliminar os opositores políticos e os grupos subversivos. Remodelaram as instituições políticas e a economia do país.
Na política, a marca foi centralização e fortalecimento do poder a partir do fortalecimento do poder Executivo, exercendo controle sobre outros poderes. Foram também estabelecidas rígidas regras para o exercício da oposição, e eleições indiretas para os cargos.
Na área econômica, incentivaram-se os investimentos estrangeiros no país, estimularam-se as exportações e a ampliação do crédito ao consumidor.
Os militares se sucederam no governo, ditaram leis que foram para sustentar todas as mudanças e medidas políticas colocadas em prática durante o período. O Congresso estava aberto e mais não funcionava.
As greves foram proibidas e os governos intervieram em todos os sindicatos trabalhistas.
Inicia-se o bipartidarismo, promulgou-se uma nova Lei de Segurança Nacional que se transformou num poderoso instrumento de controle e vigilância política sobre todos os setores da sociedade civil.
O mercado consumidor se ampliou, mas quem se beneficiou foram as classes médias e os mais ricos. A concentração de renda impediu que as classes populares se beneficiassem do desenvolvimento e crescimento econômico. As medidas repressivas seriam muitas e rígidas para se evitar as reações ao adotar medidas que reduziam o consumo por meio do congelamento salarial e a abertura da economia ao capital estrangeiro.
O fechamento das vias de atuação política acabou transferindo um importante papel de oposição aos estudantes, que passaram a criticar a repressão e o desmando dos militares, que acabou incitando um protesto contra o regime militar que ficou conhecido como a Passeata dos Cem Mil.
O endurecimento do regime também motivou que grupos políticos adotarem a luta armada como via de combate aos militares. Inspirados pela Teoria do Foco Guerrilheiro, que se usava na guerra de Vietnã e Argélia, pegaram em armas esperando empreender a derrubada do regime militar.
No ano de 1968, dava-se fim a todos os direitos civis, permitia-se a cassação dos mandatos parlamentares e o fechamento do Congresso Nacional, das Assembléias Legislativas e Câmaras Municipais, limitava os poderes do Judiciário ao suspender o direito de hábeas corpus em crimes que iam contra a “segurança nacional”
A perseguição política dava no alvo marcada pelas torturas, mortes e prisões.
Promovia-se a tortura e o assassinato no interior de delegacias e presídios. A guerrilha, que usou de violência contra o regime, foi seriamente abalada, A repressão aos órgãos de imprensa foi intensa, impossibilitando as denúncias. Ao mesmo tempo observaram-se o uso massivo dos meios de comunicação para dar uma visão positiva sobre o Governo Militar. A campanha publicitária oficial com cartazes defendia o atuado.
O chamado “milagre econômico” foi marcado pela realização de grandes obras da iniciativa pública.
A crise internacional do petróleo, afetou severamente aos poucos, a dívida externa e a inflação acabaram com os sucessos do regime. Começara outra vez o investimento estatal. A desaprovação do regime era à vista.
Afastaram-se os mais radicais do governo e abriu-se as portas às eleições.
O último presidente do regime militar, marca o início do processo de redemocratização política. Começaram a surgir diversas greves, contrariando o que determinaram os militares. As de maior destaque foram do sindicato de metalúrgicos. O regime interveio no sindicato, prendendo Lula e outras lideranças da entidade. As greves foram reprimidas, mais os empresários desejavam acabar com isso. Os trabalhadores acordaram com os empregadores um aumento de salários, o retorno de Lula às suas funções no sindicato e de todos os outros presos. Decretaram-se eleições diretas para os Estados a partir de 1980. Os avanços políticos provocaram reação da direita reacionária que começaram praticar sequestros e atos com bomba. Em 1981, os atos violentos eram muitos. Em um show comemorativo do Dia do Trabalho, uma bomba foi encontrada em uma caixa e outra explodiu em um carro estacionado. Em 1982, as eleições fizeram que a oposição saísse vitoriosa, consolidou-se o processo de redemocratização do País, isso garantiu à maioria da população brasileira o direito a participar na vida política nacional. Foi restabelecido o direito de voto, a garantia de amplas liberdades sindicais, além da convocação da Assembléia Nacional Constituin¬te.
As forças políti¬cas que compunham o Governo estavam muito desacredi¬tadas e a oposição conquistava cada vez mais força.
Nos anos 90 foram tomadas medidas econômicas drásticas e de grande impacto a fim de solucionar a grave crise da hiperinflação. Os salários e os preços foram congelados, os depósitos bancários foram confiscados. A recessão e o agravamento da crise econômica afetaram sua popularidade dos governos. Começou-se a falar de corrupção. o governo ficou completamente isolado política e socialmente. O país enfrentava uma grave crise econômica, com a inflação importante.
Uma forte desvalorização da moeda provocada por crises financeiras internacionais leva ao Brasil a uma grave crise financeira que, para ser controlada, levou aos juros reais mais altos de sua história e a um aumento enorme na dívida interna. Foram privatizadas algumas rodovias federais, a maioria dos bancos estaduais responsáveis do déficit público e o sistema telefônico brasileiro. Foi adotada a terceirização de serviços e de empregos públicos em áreas consideradas não essenciais. Criou o Bolsa Escola, e outros programas sociais destinados à população de baixa renda, que atingiu 4 milhões de famílias beneficiadas, também investiu em infra-estrutura, duplicando importantes rodovias brasileiras. Ignácio Lula da Silva foi adversário político e crítico ardoroso da política econômica.
Nesse contexto assumiu a presidência Luiz Inácio Lula da Silva no ano 2003

1966-2003

Este período teve quatro pontos importantes, as duas ditaduras militares e as voltas das democracias com o julgamento aos responsáveis dos governos do fato da segunda ditadura.

A ditadura da Revolução Argentina (1966-1973)
Viveram-se situações marcadas por uma notória falta de liberdades e controle do jornalismo. Começou uma mudança da economia com a apertura dos mercados para importações e fechamentos das indústrias nacionais ocasionando o crescimento incontrolável da dívida externa.
A proibição do peronismo e limitações das liberdades, deram o surgimento dos grupos radicalizados e começo do treinamento dos militares na Escola das Américas para se preparar para a luta interna. O objetivo foi de impedir a chegada ao poder regimes de esquerda, que nos últimos tempos estavam se manifestando em ações armadas.


Democracia (1973/1976)
No período tem destaque a inoperância administrativa, a morte do presidente Perón e osurgimento da violência do governo com o grupo AAA e o Operativo Independência na província de Tucumán.
Inoperância executiva total.


A ditadura do Processo de Reorganização Nacional (1976/1983)
Começou o controle da ditadura com violações aos direitos humanos e desmantelamento da legislação trabalhista vigente. O ministro Martinez de Hoz tinha manifestado que as atividades repressivas do “Proceso” foram necessárias para conter o descontentamento popular pelos resultados econômicos.
Desapareceram pessoas, roubaram meninos e houve delitos econômicos. Para parar o descontentamento da população invadiram as Ilhas Malvinas iniciando uma guerra com a Inglaterra. O fracasso da aventura de um militar bêbado, foi estrepitoso, foi destituído do grau militar.


Democracia (1983/ continua)
Na democracia foram julgados, condenados a prisão perpétua pelos numerosos crimes cometidos durante os governos os máximos responsáveis pelas violações aos direitos humanos durante o regime militar. A pressão militar impediu, no princípio, o julgamento de outros responsáveis. Começou a integração entre o Brasil e a Argentina "para fortalecer a democracia, afrontar a dúvida externa assim possibilitar a modernização produtiva”.
A inflação superior de 1000% levou à renuncia do presidente e à toma de pose antecipada do sucessor.

Os presos foram indultados nos anos 90 e voltaram a prisão depois de 2003. Privatizaram-se as companhias petrolíferas, os correios,o telefone, o gás, a eletricidade e a água. Dois atentados terroristas a comunidades judaicas e ao povo tudo aconteceram a meado dos 90.
Aumentou da corrupção, da dívida externa, da pobreza, da indigência, o desgoverno; a diminuição dos salários dos trabalhadores e a dolarizaram a economia, o congelamento das contas bancárias. O exposto ocasionou no ano 2001 um caos político sem precedentes. As mobilizações populares se sucederam e acabaram com mais de 30 mortos e muitos feridos. O presidente renunciou e a fugiu em helicóptero dede a casa do governo.

Isso levou que se sucederam na presidência cinco pessoas em só poucos dias
A economia em recessão tinha incrementado a pobreza e indigência até índices nunca vistos antes na Argentina uma parte importante da população fazia troca de alimentos e coisas para sobreviver.


Em este contexto assumiu o presidente Nestor Kirchner no ano 2003

Hilda Mendoza
Julho 2010

O Brasil e a Argentina. Texto 10 : O Brasil 1964-2003

O Golpe de 1964 submeteu o Brasil a um regime alinhado politicamente os Estados Unidos da América. O regime militar durou até 1985, por 21 anos os generais se sucederam na presidência da República.
Depois foi eleito o primeiro presidente civil desde as eleições de 1960, Tancredo Neves.
Neste período se pôs fim a primeira experiência de regime democrático no Brasil. O governo se transformou numa ditadura altamente repressiva, que praticou a tortura e assassinatos de cidadãos a fim de neutralizar e eliminar os opositores políticos e os grupos subversivos. Remodelaram as instituições políticas e a economia do país.
Na política, a marca foi centralização e fortalecimento do poder a partir do fortalecimento do poder Executivo, exercendo controle sobre outros poderes. Foram também estabelecidas rígidas regras para o exercício da oposição, e eleições indiretas para os cargos.
Na área econômica, incentivaram-se os investimentos estrangeiros no país, estimularam-se as exportações e a ampliação do crédito ao consumidor.
Eles tinham absoluta clareza dos rumos a seriam dados à política Nacional.
A expectativa geral era de que a intervenção militar na política fosse breve. Mas não ocorreu. Os militares se sucederam no governo, ditaram leis que foram para sustentar todas as mudanças e medidas políticas colocadas em prática durante o período, procuraram legitimar-se politicamente por meio de atitudes pseudo-democráticas. O Congresso estaria aberto e em funcionamento, era parte da estratégia.
Os militares fizeram algumas articulações políticas que possibilitaram que o Congresso Nacional referendasse o nome do marechal Humberto Castello Branco como presidente da República, em 11 de abril de 1964.

26. Castelo Branco (1964/1967 Aliança Renovadora Nacional - militar)
Era considerado um militar de tendência moderada. Em seu governo foi pressionado por militares direitistas radicais para que os policias puderam punir todos os cidadãos que tivessem vínculos políticos com o governo deposto ou que passaram a fazer parte dos movimentos de oposição ao novo regime. As greves foram proibidas e o governo interveio em todos os sindicatos trabalhistas.
Em outubro de 1965, assinou o um Ato Institucional que ampliou significativamente o poder do Executivo Federal e estabeleceu eleições indiretas para presidente da República. Em seguida foi promulgado o que extinguiu todos os partidos políticos e estabeleceu eleições indiretas para os governos dos estados. Com essas medidas, tem início o estabelecimento do bipartidarismo, com a criação de duas agremiações políticas: ARENA e MDB.
Também promulgou uma nova Lei de Segurança Nacional que se transformou num poderoso instrumento de controle e vigilância política sobre todos os setores da sociedade civil.
Adotou uma política econômica antiinflacionária que causou desemprego e provocou diminuição dos salários. Atendeu aos interesses das classes e grupos sociais que integravam a aliança golpista (burguesia industrial, elites rurais). O governo incentivou os investimentos estrangeiros no país, as exportações e a produção interna de bens (imóveis, automóveis, eletrodomésticos). O mercado consumidor se ampliou, mas quem se beneficiou foram as classes médias e os mais ricos. A concentração de renda impediu que as classes populares se beneficiassem do desenvolvimento e crescimento econômico.
Para suceder Castello Branco, a junta de generais que integravam o Comando Supremo da Revolução, indicou o nome do marechal Costa e Silva expressivo líder dos setores mais repressivos, foi aprovado pelo Congresso Nacional.

27. Costa e Silva (1967/1969 Aliança Renovadora Nacional - militar)
Era um militar de tendências radicais. Tinha pressionado ao presidente para que tomasse medidas repressivas mais rígidas contra a oposição e setores sociais que começaram a se reorganizar.
Afastou-se do cargo em 1969 por problemas de saúde. As Forças Armadas impediram a posse do vice-presidente, constituindo uma junta governativa.
No campo econômico, buscou aplicar uma política de desenvolvimento capaz de se aproximar aos setores médios, convocou os tecnocratas para assumir postos ministeriais.
Esse plano tinha como principais metas conter o processo inflacionário e a retomada do crescimento econômico nacional. Tomou medidas que reduziam o consumo por meio do congelamento salarial e a abertura da economia ao capital estrangeiro. Abriram a concessão de créditos para que vivesse uma eufórica possibilidade de consumo.
O fechamento das vias de atuação política acabou transferindo um importante papel de oposição aos estudantes, que passaram a criticar a repressão e o desmando dos militares. O enfrentamento acabou provocando um grave incidente, a morte de um estudante, e acabou incitando um protesto contra o regime militar que tomou as ruas do Rio de Janeiro e ficou conhecido como a Passeata dos Cem Mil.
O endurecimento do regime também motivou que grupos políticos a adotarem a luta armada como via de combate aos militares. Inspirados pela Teoria do Foco Guerrilheiro, que garantiu a vitória da Revolução Cubana, e se usava na guerra de Vietnã e Argélia, pegaram em armas esperando empreender a derrubada do regime militar.
As Forças Armadas criaram serviços de informação responsáveis pelo controle das atividades que investigavam as atividades políticas daqueles que eram considerados “uma ameaça à ordem nacional”
No ano de 1968, o presidente anunciou a instalação de um Ato Institucional que dava fim a todos os direitos civis, permitia a cassação dos mandatos parlamentares e o fechamento do Congresso Nacional, das Assembléias Legislativas e Câmaras Municipais, limitava os poderes do Judiciário ao suspender o direito de hábeas corpus em crimes que iam contra a “segurança nacional”.
A perseguição política dava no alvo marcada pelas torturas, mortes e prisões enquanto afastavam ao presidente por ser vítima de um derrame cerebral.
O vice-presidente, Pedro Aleixo, foi impedido de assumir o cargo presidencial pelas lideranças militares que dirigiam o regime e indicaram o ex-chefe do Serviço Nacional de Informações, Emilio Garrastazu Médici, foi novo presidente do Brasil.

Junta Guvernativa Provisória 1969/1969 (militar)

28. Emilio Médici (1969/1974 Aliança Renovadora Nacional - militar)
No fim de 1969, por o estado de saúde do presidente Costa e Silva, os membros do regime militar declararam a vacância nos cargos de presidente e vice-presidente do Brasil. O nome de Emílio Garrastazu Médici foi aprovado, pertencia à chamada “linha dura”
Foi o auge da ação dos instrumentos de repressão e tortura instalados a partir de 1968. Promovia-se a tortura e o assassinato no interior de delegacias e presídios. A guerrilha, que usou de violência contra o regime, foi seriamente abalada, A repressão aos órgãos de imprensa foi intensa, impossibilitando as denúncias. Ao mesmo tempo observaram-se o uso massivo dos meios de comunicação para dar uma visão positiva sobre o Governo Militar. A campanha publicitária oficial com cartazes defendia o atuado.
A perspectiva econômica de natureza produtiva, incentivou as atividades econômicas.
O chamado “milagre econômico” foi marcado pela realização de grandes obras da iniciativa pública. Obras de porte faraônico como a rodovia Transamazônica, a ponte Rio-Niterói e Usina Hidrelétrica de Itaipu davam a impressão de um país que se modernizava a passos largos. Enormes quantidades de dinheiro eram obtidas por meio de empréstimos.
Criaram-se aproximadamente trezentas empresas estatais que organizavam o desenvolvimento dos setores econômico e social.
A expansão do setor industrial, a manutenção dos índices salariais e a repressão política incitaram uma explosão consumista entre os setores médios da população. A casa própria financiada, a compra de um carro e as compras no shopping começou a formar os principais “sonhos de consumo” da classe média.
Uma crise internacional em 1973, do petróleo, escancarou as fraquezas da economia dando fim a toda empolgação. Importava-se mais da metade dos combustíveis que produzia e, por isso, não resistiu ao impacto causado pela alta nos preços do petróleo.
Em pouco tempo, a dívida externa e a inflação acabaram com os sucessos do regime.

29. Ernesto Geisel (1974/1979 Aliança Renovadora Nacional - militar)
O Governo foi marcado pela necessidade de se administrar as oposições legais frente os sinais de crise da ditadura.
Anunciou o Plano Nacional de Desenvolvimento, buscava o crescimento econômico com a contenção da onda inflacionária. Dera prioridade ao desenvolvimento de bens de capital, por isso, investiu principalmente nas empresas estatais. Não tiveram o efeito esperado as grandes empresas tinham um momento de retração. A economia era fraca, os setores de oposição política oficial ganhavam maior força. Os militares da chamada “linha dura” começaram a perceber a desaprovação popular frente o regime. Outros defendiam a necessidade de flexibilização assim, teria maior longevidade ao governo militar.
Um jornalista foi assassinado nos corredores do II Exército de São Paulo. Segundo as fontes oficiais, o jornalista teria se matado na prisão. Mais, as fotos do incidente estranhamente mostravam seu pescoço amarrado a um lençol e com os pés ao chão...
O episódio acabou dando forças para que diversas entidades representativas se unissem em torno de duas grandes reivindicações: a anistia aos presos políticos e a realização de uma nova Constituinte.
O Governo Geisel lançou, o chamado pacote de abril. O Congresso Nacional foi fechado, ao mesmo tempo, o sistema judiciário e a legislação foram alterados. As campanhas eleitorais foram restritas, o mandato presidencial passou para seis anos e as leis seriam aprovadas por maioria simples.
Afastaram-se os mais radicais do governo e abriu as portas à eleição de João Batista Figueiredo.
Deixou aberta a possibilidade que o novo governo pudesse decretar o Estado de Sítio a qualquer momento.

30 João Figueredo (1979/1985 Partido Democrático Social - militar)
O último presidente do regime militar, marca o início do processo de redemocratização política.
Assumiu o governo em um contexto de aceleração da inflação, baixos salários e de pouca distribuição de renda. Começaram a surgir diversas greves, contrariando o que determinaram os militares. As de maior destaque foram do sindicato de metalúrgicos de São Bernardo, com a liderança de Luiz Inácio Lula da Silva, que chegaram a reunir 160 mil metalúrgicos da indústria automobilística e contavam com o apoio de setores da igreja.
O regime interveio no sindicato, prendendo Lula e outras lideranças da entidade. Outra greve reprimida pelo governo foi dos policiais de São Paulo. Além da violência, o ato foi marcado pelo saldo de 200 presos, embora não conseguiu pôr fim às manifestações dos metalúrgicos.
Os trabalhadores acordaram com os empregadores em negociação um aumento de 63% nos salários, o retorno de Lula às suas funções no sindicato e de todos os outros presos. No ano seguinte, aconteceram cerca de 400 greves de funcionários públicos em todo o país.
Figueiredo decretou eleições diretas para os Estados a partir de 1980. Os avanços políticos provocaram reação da direita reacionária que começaram praticar sequestros e atos com bomba.
Em 1981, os atos violentos eram muitos. Durante um show comemorativo do Dia do Trabalho, organizado por entidades sindicais, com cerca de 20 mil pessoas, uma bomba foi encontrada em uma caixa e outra explodiu em um carro estacionado matando um sargento do Exército e ferindo um capitão.
Em 1982, as eleições fizeram que a oposição saísse vitoriosa. Além da maioria no Congresso, conseguiu o governo de Estados importantes. O ambiente político propiciou em 1983 a apresentação de uma emenda constitucional que previa a eleição direta para presidente no ano seguinte. Outra mobilização da população foi feita para pedir a volta da democracia. Em São Paulo, foram cerca de 1,7 milhão, a maior da história do Brasil.
Figueiredo exprimiu as dificuldades de manter o regime militar com uma frase já no final de seu mandato. "Quero que me esqueçam”

Tancredo Neves Partido (Movimento Democrático Brasileiro)
Não pôde assumir a presidência por motivos de saúde e faleceu depois de pouco mais de um mês da posse de seu vice-presidente, José Sarney.

31. José Sarney (1985/1990 Partido do Movimento Democrático Brasileiro)
Durante seu governo consolidou-se o processo de redemocratização do País, isso garantiu à maioria da população brasileira o direito a participar na vida política nacional. Foi restabelecido o direito de voto, a garantia de amplas liberdades sindicais, além da convocação da Assembléia Nacional Constituin¬te.
Ao descontrole financeiro juntavam-se o peso da dívida ex¬terna e interna, o descrédito do Brasil no mercado internacional e a ausência de investimentos estrangeiros. No final do mandato, as forças políti¬cas que compunham o Governo estavam muito desacredi¬tadas e a oposição conquistava cada vez mais força.

32. Fernando Collor (1990/1992 Partido da Reconstrução Nacional)
Em 1989 ocorreu a primeira eleição direta para presidente da República no Brasil. Depois de quase três décadas de interrupção do processo eleitoral democrático.
Fernando Collor era um político pertencente a uma família de políticos tradicionais, recebeu apoio das forças conservadoras de direita, desde os grandes latifúndios, até os grandes industriais e banqueiros. Conseguiu ainda apresentar-se como o candidato das camadas populares mais pobres, que em sua campanha foram denominados de "descamisados". No início do governo, foram tomadas medidas econômicas drásticas e de grande impacto a fim de solucionar a grave crise da hiperinflação. Os salários e os preços foram congelados, os depósitos bancários foram confiscados por um período de 18 meses. Apenas por um breve período de tempo, a inflação ficou controlada.
A recessão e o agravamento da crise econômica afetaram sua popularidade. No Congresso Nacional, foi perdendo apoio com o enfraquecimento político de seu governo.
Começou a ser alvo de denúncias de corrupção. Um desentendimento familiar levou ao irmão do presidente, Pedro Collor, a denunciar um extenso esquema de corrupção existente no governo, comandado pelo então tesoureiro da campanha presidencial, e empresário Paulo César Farias. Enfrentando a oposição de parlamentares do Congresso e manifestações de rua cada vez mais expressivas, o governo ficou completamente isolado política e socialmente. Em 29 de setembro de 1992, foi afastado pela Câmara dos Deputados e renunciou ao mandato em dezembro do mesmo ano.
Foi a primeira vez na história republicana do Brasil que um presidente eleito pelo voto direto era afastado por vias democráticas, sem recurso aos golpes e outros meios ilegais.

33. Itamar Franco (1992/1995 Partido do Movimento Democrático Brasileiro)
Assumiu interinamente na qualidade de vice-presidente até a data de renúncia de Fernando Collor. O país enfrentava uma grave crise econômica, com a inflação importante. Durante o seu governo foi criado o Plano Real pelo Ministério da Fazenda, que tinha como líder Fernando Henrique Cardoso. O Plano Real foi um sucesso e a inflação foi controlada. Fernando Henrique Cardoso foi muito beneficiado por ele, tornando-se assim o candidato oficial para a sucessão. No ano de 1993 o governo realizou um plebiscito, que era previsto pela constituição de 1988, para eleger a nova forma e o novo sistema de governo do Brasil. Grande parte da população votou a favor da República como forma de governo e somente uma minoria votou pela Monarquia. Pelo sistema de governo foi mais votado o presidencialismo que o Parlamentarismo.

34. Fernando Henrique (1995/2003 Partido da Social Democracia Brasileira)
Conseguiu a aprovação de uma emenda constitucional que criou a reeleição para os cargos eletivos do Executivo sendo o primeiro presidente brasileiro a ser reeleito. Em seu governo houve denúncias de corrupção dentre as quais merecem destaque as acusações de compra de parlamentares para aprovação da reeleição. O fim de seu segundo mandato foi marcado pela crise do setor energético que ocorreu por falta de planejamento e ausência de investimentos em geração e distribuição de energia, foi agravada pelas poucas chuvas.
Uma forte desvalorização da moeda provocada por crises financeiras internacionais leva ao Brasil a uma grave crise financeira que, para ser controlada, levou aos juros reais mais altos de sua história e a um aumento enorme na dívida interna.
Foi criado o Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental, que garante mais recursos para o ensino fundamental. Privatizou a companhia Vale do Rio Doce, continuou o processo de privatização de empresas estatais iniciadas por Fernando Collor. Foram privatizadas algumas rodovias federais, a maioria dos bancos estaduais responsáveis do déficit público e o sistema telefônico brasileiro. Esta reforma do estado era entendida como uma ruptura com a era Vargas e o Estado Novo. Conseguiu a aprovação de várias emendas à constituição, que facilitaram a entrada de empresas estrangeiras no Brasil. Foi adotada a terceirização de serviços e de empregos públicos em áreas consideradas não essenciais. Criou o Bolsa Escola, e outros programas sociais destinados à população de baixa renda, que atingiu 4 milhões de famílias beneficiadas, também investiu em infra-estrutura, duplicando importantes rodovias brasileiras. Ignácio Lula da Silva foi adversário político e crítico ardoroso da política econômica.

35. Luiz Inácio Lula da Silva
(2003/continua Partido dos Trabalhadores)

Hilda Mendoza
Bibliografía:

sábado, 3 de julio de 2010

O Brasil e a Argentina. Texto 8 : Brasil 1930-1964

Os dois países neste período têm características históricas comuns. Governos eleitos frouxos com poderes militares fortes.
Os governos militares estiveram formados por juntas governativas ou governos nomeados por eles, seus representantes no poder. Representantes das classes sociais dominantes.

Presidentes:
Julio Prestes Partido (Republicano Paulista) eleito em 1930, não pôde assumir pelo mesmo golpe que depôs Washington Luís.

Junta governativa: Augusto Fragoso / Isaías de Noronha/ Mena Barreto

14 Getúlio Vargas (1930/1945, Aliança Liberal)

Exerceu de fato a presidência entre 1930/1934 na qualidade de chefe do Governo Provisório. Em 1934 foi eleito presidente da República pela Assembléia Nacional Constituinte. Em 1937, deu um golpe de estado que institui o Estado Novo que durou até 1945 e prorrogou seu período presidencial. O Estado tinha sido adequado para uma acumulação primitiva de capital, depois se tornou um obstáculo, e a burguesia passou a querer participar mais de perto nas decisões governamentais. Getúlio era chamado pelos seus simpatizantes de “o pai dos pobres” por o fato de ter criado muitas das leis sociais e trabalhistas brasileiras.

15 José Linhares (1945/1946)
José Linhares exerceu a presidência por convocação das Forças Armadas, na qualidade de presidente do Supremo Tribunal Federal, em razão da deposição do titular.

16 Eurico Gaspar Dutra (1946/1951, Partido Social Democrático)
Deve-se destacar a promulgação de uma nova Constituição, cujos traços principais foram o retorno da democracia, assegurando mandato presidencial de 5 anos, eleições diretas e a manutenção de inúmeros direitos trabalhistas conquistados ao longo da Era Vargas, a redução da intervenção do Estado na economia; aperfeiçoamento da assistência estatal nos setores de saúde, alimentação, transporte e energia; a adoção de uma política econômica liberalizante, de forma a facilitar o acúmulo de capital às custas de baixos salários, e a expansão das empresas estrangeiras. Esta última medida trouxe reflexos funestos para a economia nacional, de vez que se esgotaram as reservas cambiais adquiridas ao longo da II Guerra Mundial, proibiu os jogos de azar no Brasil.
Na Política Externa alinhou-se com os norte-americanos na Guerra Fria, enquadrando-se na divisão mundial entre os blocos capitalista e socialista.

17 Getúlio Vargas (1951/1954, Partido Trabalhista Brasileiro)
Sua ideologia nacionalista, intervencionista e paternalista ganhou novo impulso. O presidente procurou restringir as importações, limitar os investimentos estrangeiros no País, impedir a remessa de lucros de empresas estrangeiras instaladas, para seus países de origem. Em 1952, criou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico, a fim de incentivar a indústria nacional, procurou compensar os traba¬lhadores, grandemente afetados pelo processo inflacio¬nário, dobrando o valor do salário mínimo. Com isso, conquistou o apoio da classe trabalhado¬ra. A política estatizante, de cunho nacionalista, desencadeou a oposição de empresários ligados às empresas estrangeiras.
Acusaram a Vargas de estar tra¬mando um golpe que estabelecia uma República sindica¬lista, consciente de sua deposição em breve, Vargas sur¬preendeu seus inimigos e a nação, suicidando-se, o vice-presidente Café Filho assumiu o poder.

18. Café Filho (1954/1955,Partido Social Progressista) Empossado como presidente da República em meio a um clima de grande comoção nacional montou uma equipe de governo composta basicamente por políticos, empresários e militares de oposição a Getúlio. Ficava claro, portanto, que o novo presidente compartilhava das opiniões desses setores e afastava-se, assim, da política de Vargas. Foi afastado por motivos de saúde, sendo substituído por Carlos Luz, presidente da Câmara de Deputados.

19. Carlos Luz (1955/1955, Partido Social Democrático)

Presidente em exercício, foi deposto e substituído pelo vice-presidente do Senado, ficou no poder por apenas quatro dias.
Rumores de um suposto golpe, tramado por ele, por políticos e militares contra a posse de Juscelino Kubitschek fizeram com que se mobilizassem tropas militares que ocuparam importantes prédios públicos, estações de rádio e jornais. O presidente em exercício Carlos Luz foi deposto. Foi empossado provisoriamente no governo o presidente do Senado, Nereu Ramos, que se encarregou de transmitir os cargos a Juscelino Kubitschek

20. Nereu Ramos (1955/1956, Partido Social Democrático)

Foi presidente da República durante dois meses e 21 dias até completar o quadriênio presidencial.

21. Juscelino Kubitschek (1956/1961 Partido Social Democrático)

Na eleição presidencial de 1955, o Partido Social Democrático e o Partido Trabalhista Brasileiro se aliaram, lançando como candidato Juscelino Kubitschek para presidente e João Goulart para vice-presidente.
Foi a gestão presidencial na qual se registrou o mais expressivo crescimento da economia brasileira. Na área econômica, o lema do governo foi
"Cinquenta anos de progresso em cinco anos de governo".
Para cumprir com esse objetivo, o governo federal elaborou o Plano de Metas, que previa o crescimento econômico a partir da expansão do setor industrial, com investimentos nas produções, nas maquinaria pesada e equipamento elétrico. Recebeu apoio de importantes setores da sociedade, incluindo os militares, os empresários e sindicatos trabalhistas. O acelerado processo de industrialização registrado não deixou de acarretar uma série de problemas para a econômica brasileira já que realizava investimentos no setor industrial a partir da emissão monetária e da abertura da economia ao capital estrangeiro. Isso ocasionou um agravamento do processo inflacionário, e uma progressiva desnacionalização econômica, porque as empresas estrangeiras passaram a controlar setores industriais estratégicos da economia nacional, preponderantemente nas indústrias automobilísticas, de cigarros, farmacêutica e mecânica.
Por um lado o Plano de Metas alcançou os resultados esperados, por outro, foi responsável pela consolidação de um capitalismo dependente.
Tinha implementado um ambicioso programa de obras públicas onde se destaque a construção da nova capital federal, Brasília. A nova cidade e capital federal foi o símbolo máximo do progresso nacional e foi considerada Patrimônio Cultural da Humanidade. O responsável pelo projeto arquitetônico de Brasília foi Oscar Niemeyer e o projeto urbanístico ficou a cargo de Lúcio Costa. A cidade foi inaugurada pelo presidente, a 21 de abril de 1960.
Não esteve a salvo de críticas dos setores da oposição, as críticas baseadas na denúncia de escândalos de corrupção e uso indevido do dinheiro público sem prejudicar a estabilidade governamental.

22. Jânio da Silva Quadros (1961/1961 Partido Trabalhista Nacional)

A gestão de Jânio Quadros na presidência da República foi breve, durou sete meses. Neste curto período, praticou uma política econômica e uma política externa que desagradou profundamente os políticos que o apoiavam, setores das Forças Armadas e outros segmentos sociais.
Tomou posse da presidência o em janeiro de 1961 assessorado por João Goulart, o vice-presidente eleito (As eleições para presidente e vice-presidente ocorriam separadamente, ou seja, as candidaturas eram independentes). Criou uma nova política que firmava relações internacionais, não permitia intervenção externa à política, criou reservas indígenas, destruiu o câmbio que beneficiava apenas alguns grupos econômicos, algumas medidas moralistas e as brigas de galo. Perdeu sua base de apoio político e social a partir do momento em que adotou uma política econômica austera e uma política externa independente. Na área econômica, o governo se deparou com uma crise financeira aguda devido a intensa inflação, déficit da balança comercial e crescimento da dívida externa. O governo adotou medidas drásticas, restringindo o crédito, congelando os salários e incentivando as exportações. Mas foi na área da política externa que o presidente Jânio Quadros acirrou os ânimos da oposição ao seu governo. O Brasil começou a se aproximar dos países socialistas. O governo brasileiro restabeleceu relações diplomáticas com a União Soviética
Em agosto de 1961, renunciou o poder na realidade, ele queria que o Parlamento desse mais poderes e lhe oferecesse liberdade governamental e o exército o apoiasse. O Congresso, ao contrário do que esperava, aceitou sua renúncia que daria a João Goulart a sua sucessão.

23. Ranieri Mazzilli (1961/1961 Partido Social Democrático)

A renúncia de Jânio Quadros desencadeou uma crise institucional sem precedentes na história republicana do país, porque a posse do vice-presidente João Goulart não foi aceita pelos ministros militares e pelas classes dominantes. Governou o país durante catorze dias e assumiu na qualidade de presidente da Câmara dos Deputados..

24 João Goulart (1961/1964 Partido Trabalhista Nacional)
Assumiu a presidência do país sobre o regime parlamentarista, tendo como primeiro-ministro Tancredo Neves. O primeiro gabinete parlamentarista reunia representantes da maior parte dos partidos políticos. Em janeiro de 1963, em plebiscito antecipado, 11 milhões e meio dos 18 milhões de eleitores confirmaram a opção pelo presidencialismo por larga margem de votos. Em dezembro de 1962, foi divulgado o Plano Trienal de Desenvolvimento Econômico e Social. Elaborado por Celso Furtado, futuro ministro Extraordinário para Assuntos de Desenvolvimento Econômico, o plano seria adotado e conduzido pelo ministro da Fazenda. Seu principal objetivo era a contenção da inflação aliada ao crescimento real da economia, prevendo também as chamadas reformas de base, já anunciadas no regime parlamentarista e que incidiam sobre as estruturas: agrária, bancária, fiscal, entre outras. Durante esses anos de governo, as reformas e os reajustes salariais e a estabilização da economia, com o controle da inflação, foram os dois pólos de conflito da política econômica. Às pressões externas, do governo americano e do Fundo Monetário Internacional (FMI), condicionaram os empréstimos externos, a adoção de medidas restritivas ao crescimento, embora correspondiam às reivindicações populares e dos setores da esquerda brasileira. Em 1964, em meio às tensões sociais e à pressão externa, precipitaram-se os acontecimentos. Em março, o presidente discursou na Central do Brasil para 150 mil pessoas, anunciando reformas. Aos poucos, realizou-se, no Rio de Janeiro, a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, organizada pela Campanha da Mulher pela Democracia e a Sociedade Rural Brasileira, entre outras entidades. A marcha tinha como objetivo mobilizar a opinião pública contra a política desenvolvida pelo governo, que conduziria, de acordo com seus opositores, à implantação do comunismo no Brasil. Em 25 de março ocorreu a Revolta dos Marinheiros, quando marinheiros e fuzileiros navais contrariaram ordens do ministro da Marinha e foram, posteriormente, anistiados por Goulart. No dia 30 de março, o presidente compareceu a uma reunião de sargentos, discursando em prol das reformas pretendidas pelo governo e invocando o apoio das forças armadas. Em 31 de março de 1964, o comandante da 4ª Região Militar de Minas Gerais, iniciou a movimentação de tropas em direção ao Rio de Janeiro. A despeito de algumas tentativas de resistência. No Brasil, empresários fundaram, em novembro daquele ano, o Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais, que se tornaria um centro de oposição ao governo Goulart. Paulo Freire desenvolveu no Nordeste o método de alfabetização em massa que o notabilizou como educador.

Hilda Mendoza
Bibliografia:História do Brasil (Francisco de Assis Silva)
Brasil e Argentina (Boris Fausto e Fernando Devoto)
http://es.wikipedia.org

lunes, 21 de junio de 2010

O Brasil e a Argentina. Texto 4 : Século XIX no Brasil

1808 - 1889
O Brasil teve uma longa história de lutas sociais e étnicas, foram lutas de resistência contra a dominação a que estavam sujeitos, nelas já estava presente o problema da autonomia e das estratégias dos diferentes grupos sociais.
O homem branco, com sua cultura e instituições trazidas da Europa, foi o que introduziu formas de organização que por ser diferentes às existentes, iriam gerar os crescentes conflitos sociais que se foram agravando na transição da época mercantil à época industrial.
A economia estava baseada inicialmente no escambo, mas logo foi organizada em torno dos latifúndios do açúcar e do café, que se somaria à exploração mineral de ouro e diamantes.
A produção baseada na mão de obra escrava, índia e negra deu a essa dominação e exploração, também um caráter étnico.
Às primeiras indústrias metalúrgicas e manufatureiras, foram a fábrica de ferro de Sorocaba, a fabrica de armas de Minas, a indústria Mauá, em Niterói.
Em 1850 havia já cerca de 50 indústrias, entre fábricas de tecidos, alimentação, metalurgia e produtos químicos.
Consideram-se diferentes períodos na história do século XIX
O período joanino:
Com a invasão de Napoleão D. João VI decidiu mudar a corte para o Brasil, evitando ser aprisionado com sua família e o governo, tornando possível manter a autonomia portuguesa a partir do Brasil. Manteve assim também o Brasil em poder de Portugal.
A Corte de D. João permaneceu no Brasil desde 1808 até 1821 quando a ex-colônia brasileira se converteu em sede da monarquia. Em 1808, D. João aportou na Bahia, onde assinou uma Carta Régia abrindo os portos brasileiros ao comércio com as nações amigas. Depois, ele e sua Corte partiram em direção ao Rio de Janeiro. Na nova capital tomou várias medidas: revogou a proibição das manufaturas no Brasil; criou a Real Junta do Comércio, Agricultura, Fábricas e Navegação e o Banco do Brasil (é interessante ler todo o desenvolvimento da época)...
Os anos seguintes de sua permanência no Brasil foram marcados pela assinatura dos tratados com a Grã-Bretanha e pela elevação do Brasil a Reino Unido a Portugal e Algarves. No campo militar, seu governo enfrentou uma revolta em Pernambuco em 1817.
O Nordeste do Brasil, tinha dificuldades econômicas pela queda do preço do açúcar a isso se somavam os pesados impostos cobrados para custear os gastos da monarquia instalada no Rio de Janeiro. A eclosão social foi iminente, surgiu um movimento separatista em Pernambuco nesse ano. A profunda insatisfação dos colonos que enfrentavam dificuldades econômicas, somadas às idéias de liberdade e igualdade que agitavam a Europa e a América, os levaram à conspiração, quando criado o Governo Provisório.
O movimento recebeu a adesão da Paraíba e do Rio Grande do Norte. O governo republicano publicou a Lei Orgânica que destacava a igualdade de direitos e a garantia da propriedade privada, decretou também a extinção do impostos. Este movimento, de caráter republicano, separatista e anti-lusitano fracassou, não obstante, deixou profundas raízes na sociedade pernambucana, que anos mais tarde revolta-se novamente.
D. João aboliu efetivamente o regime colonial ao estabelecer a sede da monarquia e promoveu uma inversão de papéis entre Brasil e Portugal. Foram abolidas uma a uma as velhas engrenagens da administração colonial, e foram substituídas por outras de uma nação soberana. Caíram-se as restrições econômicas e passaram para um primeiro plano os interesses do país.
O Brasil constituiu uma base essencial da economia portuguesa. A exportação era quase toda canalizada pelos portos brasileiros; e a importação ia quase toda do Brasil. As matérias-primas tropicais faziam escala em Lisboa e de aí eram reexportadas para o exterior.
Muitos nobres, instalados na corte do Rio, viviam à custa dos bens que possuíam no Portugal. Assim, a política joanina de romper antigas subordinações do Brasil em relação à Metrópole provocou crises em Portugal.
D. João VI prestou juramento à futura Constituição portuguesa em 1821, tropas portuguesas dos quartéis do Rio de Janeiro amotinaram-se, exigindo que D. João VI retornasse ao Portugal, para evitar uma guerra civil nomeou Regente seu filho primogênito e embarcou para Lisboa e em 1825 reconhece a independência política do Brasil.

Período do Império.
Primeiro reinado.

A independência política do Brasil em 1822 marcou o fim do tráfico de escravos. O reconhecimento da independência política do Brasil, proclamada por seu filho, D. Pedro deu início ao período do Império até 1889. D. Pedro I foi imperador até 1831. Ele acreditava que a melhor maneira de eliminar a escravidão seria de uma maneira gradual, com a imigração de trabalhadores europeus para substituir aos escravos que viriam a faltar. A escravidão não se resumia somente a negros, havia casos de brancos escravos. Ter escravos estava muito difundido, pessoas com pouco dinheiro compravam um, apenas pudessem.
O Imperador combatia a escravidão e entrava em choque com a população que via em suas ações uma demonstração de autoritarismo.
Poucos foram os que se aliaram a D. Pedro na primeira metade do século na luta pelo fim da escravidão. A maior parte, permanecia hostil às idéias abolicionistas. Depois de várias décadas seu filho, D. Pedro II e sua neta, lograram extingui-la.
A Constituição previa que, o Brasil seria comandado por uma regência de três autoridades. A Regência Trina tinha um representante de cada uma das três grandes vertentes políticas no país, os liberais, os conservadores e os militares. Mostraram-se democráticos e federalistas, pois criaram as Assembléias Legislativas provinciais, para dar maior autonomia às províncias brasileiras descentralizando. Além disso, a cidade do Rio de Janeiro foi município neutro.
Viúvo desde 1826, contrai segundas núpcias por procuração em 1829. Ao morrer João VI para evitar o conflito com seu irmão absolutista que tinha participado por duas vezes em tentativas de assassínio do seu pai e não era visto com bons olhos pelos portugueses, torna-se Rei de Portugal, abdicou aos poucos em favor da sua filha Maria da Gloria e regressou ao Brasil porque a Constituição brasileira não lhe permitia ser monarca de dois países. Acordou o casamento da filha com o tio, mas as alianças dele com os setores mais absolutistas o forçaram a regressar a Portugal para lutar pela causa liberal e pelo reconhecimento do direito da sua filha ao trono português.
Em 1831 abdica da coroa do Brasil em favor de seu filho Pedro II e parte para Portugal.

Segundo reinado.
A maioridade de Dom Pedro II é decretada pela Assembléia Geral e assume o trono, com apenas 14 anos. O Brasil teve um período de império com dois reinados. Dom Pedro II conseguiu, nos primeiros anos de seu governo um Brasil estável e próspero.
Assim cumpriu 18 anos por negociações diplomáticas, foi assinado o contrato de casamento com a Princesa Teresa Cristina Maria. Como princesa real, teve uma educação esmerada: belas artes, música, canto, bordado, francês e religião. Possuía natureza sensível, inteligência apurada e inclinada naturalmente ao culto da arte. Estudiosa da cultura clássica, interessou-se especialmente pela arqueologia e as descobertas que estavam sendo realizadas na sua época,
Ela seria conhecida como "a imperatriz arqueóloga” e daria muito incentivo as manifestações culturais do Brasil.
Seguiu a tendência centralizadora com a nomeação de todos os cargos de hierarquia.
O fato também se percebeu na organização do Código de Processo Criminal, na admissão de uma espécie de Parlamentarismo na Constituição. Cria-se o Banco do Brasil....
Logrou-se certa coesão ao superar o segundo ciclo de revoltas por questões sociais e disputas de elites.
Mostrou a crescente força do poder central para sufocar as revoltas.
A Revolução Farroupilha (no sul do Brasil) quando D. Pedro II assumiu o trono, tomava proporções assustadoras, além disso, a região estava próxima de conseguir a independência do resto do país, o fato foi controlado com inteligência por D.Pedro II. Ele nomeou Comandante-chefe do Exército, a quem tinha sufocado as revoltas em Minas e em São Paulo. Além da liderança no Exército, foi agraciado com o título de Presidente da província do Rio Grande do Sul, negociou com líderes e fez manifestos patrióticos integrando-se.
D. Pedro II interveio na política ou militarmente nos vizinhos da região do Cone Sul sempre que sentisse que era de importância estratégica para os interesses do Brasil. Orientando-se no sentido de evitar o fortalecimento da Argentina, Uruguai e Paraguai, Oribe (Uruguai) e Rosas (Buenos Aires) buscavam criar um só país, isso desequilibraria as forças, já que o novo país controlaria os dois lados do rio da Prata. Os interesses do Brasil na região estavam em perigo. D. Pedro II declarou a guerra aos dois países, e mandou organizar um novo exército no Sul, invadiu o Uruguai, derrubando Oribe e apagando a possibilidade do Uruguai se fundir com a Argentina e o Brasil se aliou às tropas do general Urquiza para lutar contra Rosas.

O Paraguai era independente política e economicamente com estado regulador e incentivo à indústria. Tinha uma política autônoma. Os ingleses não permitiram isso porque o Brasil e a Argentina deixariam de comercial com eles. Articulou-se um conflito que finalizou com a guerra do Paraguai, o país mais desenvolvido da América. Foi uma guerra que deixou sem homens ao Paraguai, eles defenderam com a vida seu país.

O Paraguai foi derrotado pelos três países e sua economia despedaçada.
Uma forte seca no norte causou muitos mortos (mais que a guerra do Paraguai). Também teve que enfrentar a resistência dos povos, que se manifestaram com revoltas, aos aumentos dos impostos...

As práticas das escolas foram transferidas a uma Escola Central (depois será a Escola Politécnica) e foi criada outra Academia Militar.

Ao ter o mundo maior poder econômico, cresceu a demanda do café brasileiro favorecendo aos produtores que exportavam. Os paises que se industrializavam também necessitavam de matérias-primas. Isso desarrolhou os meios de transporte e determinou uma nova organização dos setores mercantil e financeiro. Parte dos lucros gerados na produção de café se usaram na montagem de fábricas desenvolvendo assim às indústrias.
Em 1850 aboliu-se a escravatura embora não foi de cumprimento efetivo. Em 1871 se promulgou a Lei do Ventre Livre que dá liberdade aos filhos de escravos nascidos no Brasil.
O que mais favoreceu o crescimento interno econômico foi a solução do problema da mão-de-obra através da imigração européia além da expansão do crédito, através de uma reforma bancária, que deu recursos para a formação de novas lavouras cafeeiras. Em São Paulo, reduziram o custo de transporte para os proprietários das novas lavouras que estavam no interior paulista a expansão das redes ferroviárias.
Diversificaram-se as atividades econômicas estimulando a urbanização. Os investimentos feitos na compra de escravos eram direcionados para a mecanização da indústria e pagamento de salários.
As pessoas ligadas ao café comandavam todos os setores da economia, isso não acontecia nos engenhos de açúcar onde os proprietários ficavam nas tarefas específicas e o setor financeiro estava a cargo de outros setores.
As transformações na estrutura produtiva fora gerada pela cafeicultura que possibilitou a vagarosa a gradual modernização da sociedade brasileira, que transformaria a sociedade rural e escravista em uma sociedade urbana industrial.
Nessa época, o Império passou a financiar a imigração de europeus para que se dedicassem à agricultura, foram milhões de imigrantes europeus, na sua maioria italianos, espanhóis e portugueses, além de contingentes menores de alemães, russos, suíços e de outras nacionalidades. No início do século XX, começou a imigração de japoneses.
Propuseram lhe que se tornasse o Imperador da Ibéria ( unificação do Portugal com a Espanha). O monarca brasileiro aceitou a proposta e realizou os preparativos para partir para a Europa e derrotar os absolutistas em favor dos constitucionalistas. A aceitação da oferta da coroa imperial da península Ibérica seria uma das razões que levaria D. Pedro a abdicar do trono brasileiro.
Os Partidos Republicanos do Rio de janeiro e de São Paulo criaram clima de intensa agitação. E pediram a intervenção militar o Exército se mostrou sensível ao pedido. Os líderes republicanos se reuniram com o marechal da Fonseca, pedindo-lhe que liderasse o movimento para depor a monarquia ele aceitou a proposta. No dia 15 de novembro de 1889, a República foi final¬mente proclamada.
Foi uma época de grande progresso cultural e industrial, com o crescimento e a consolidação da Nação Brasileira onde se criaram e reformularam escolas e faculdades, onde se fomentaram as artes e as manifestações culturais.
Hilda Mendoza
Bibliografia:História do Brasil (Francisco de Assis Silva)
Brasil e Argentina (Boris Fausto e Fernando Devoto)
http://es.wikipedia.org

O Brasil e a Argentina. Texto 3 : Síntese. Século XIX

1808 - 1889
Os movimentos sociais têm ocorrido durante a História da Humanidade toda e variam muito em termos de métodos, duração e motivações. Eles têm podido dar-se em formas pacíficas ou violentas.
Os resultados serão grandes mudanças na cultura, na economia e nos ideários políticos.
Estes movimentos sociais e os desenvolvimentos econômicos determinaram os crescimentos dos países.
BrasilArgentina

Foi um século de governo forte e unificado, onde se promoveu o desenvolvimento econômico, cultural e educacional.
Também se organizou o país juridicamente, promulgou-se a liberação dos escravos, processo vagaroso e imprescindível para o progresso da humanidade.
Transformou-se a sociedade rural e escravista em uma sociedade urbana industrial.




Foi um século de inserção mundial dependente, caos jurídico, lutas pelo poder e estado ausente.
Liberaram-se os escravos nos primeiros anos do século.
Depois de 1860 começou a organização política intervindo somente as pessoas de origem europeu, educadas na Europa ou nas universidades de Chuquisaca ou Córdoba.
Deu-se impulso à educação, elevando-se muito o número de centros educativos. Fez-se o primeiro censo nacional. Criara-se o Teatro Colón e Escolas Militares, de Marina...

Uma síntese mais cumprida será feita no texto seguinte...
Hilda Mendoza
Bibliografia:História do Brasil (Francisco de Assis Silva)
Brasil e Argentina (Boris Fausto e Fernando Devoto)
http://es.wikipedia.org

sábado, 12 de junio de 2010

O Brasil e a Argentina. Texto 2: A população

A população é um aspeto central à hora de falar dos países, é o que dá coesão aos espaços e lhe dá forma. Cabe destacar que os dois países se abriram à imigração em momentos coincidentes, logo que adquirir autonomia em relação às metrópoles européias.
Uma das consequências da invasão napoleônica na península ibérica foi a fuga da família Real do Portugal para o Brasil enquanto o Rei de Espanha foi prisioneiro e, a futura Argentina ficou sem Rei. Isso marcou uma diferença muito importante na época (acho que esboçou as características futuras dos povos).
O Brasil começou seu desarrolho com a monarquia (1808), enquanto nas colônias espanholas começaram a buscar a independência (1810) e começaram as guerras civis. Elas foram retratadas em forma ótima pelo pintor Cándido López (1840-1912).
Em 1872, os estrangeiros constituíam 30% da população do Rio de Ja¬neiro, enquanto em Buenos Aires, em 1869, já representavam 50%. A distribuição espacial da população se manteve bastante estável nos dois países durante a primeira metade do século XIX.
Do ponto de vista social, dois aspectos importantes são o escravismo e a composição étnica. Em relação ao primeiro ponto, vale assinalar, que a população escrava era muito mais significativa no Brasil.
Na composição étnica da população, assinalarei, que o componente branco foi mais significativo na Argentina, não obstante a coexistência, em ambos países, de negros, índios e mestiços os processos foram diferentes.

Brasil. Nos inícios, o Brasil adotou uma ativa política de povoação das províncias do Sul, com colonos provenientes, sobretudo, da Alemanha, Tal política ganharia força nos anos 1820 e 1830. A criação das colônias tinha o caráter estratégico de povoar as regiões contíguas à fronteira mais conflituosa do país. Foi uma imigração centralizada, organizada e subsidiada pelo Estado. As origens foram de monopolio Imperial e os comerciântes provenientes da ex-metrópole eram os que ganhavam espaço sobretudo na década de 1840.
O fluxo inmigratorio, foi mais lento que na Argentina. Há que ter em conta a proporção de escravos que chegaram ao Brasil, muito superior e que só disminuera, por os obstáculos ingleses ao tráfico e do número crescente de alforrias.
Os escravos trazidos do África, sempre buscaram a liberdade, devemos recordar que os povos africanos se recusavam à submissão, à exploração, à violência do sistema colonial e do escravismo surgindo os verdadeiros núcleos de resistência ao colonialismo que representaram uma das maiores expressões de luta organizada pela liberdade: Os Quilombos. Um dos mais emblemáticos foi o de Palmares, resistiu mais de em século.
O tráfico de escravos cresceu durante a década de 1820 e se manteve elevado na seguinte, apesar de ter sido proibido em 1831, por uma lei promulgada cedendo a pressões inglesas, mas que não foi cumprida. O processo de emancipação só ganharia força a partir de 1850, ao se decretar a extinção do tráfico e a Lei do Ventre Livre –lei de relativo benefício-
A abolição definitiva seria em 1888.
O sistema escravista se generalizou a tal ponto que ocupou uma parte essencial na vida social das cidades e dos campos. Os escravos tinham inexistência jurídica como pessoas, e presença na vida social. Havia proprietários de centenas de escravos, concentrados nas grandes fazendas, e, ao mesmo tempo, nas cidades pessoas que possuíam apenas um ou dois escravos. Os cativos desempenharam papéis na esfera produtiva nos latifúndios, nas tarefas domésticas, em atividades urbanas, ... na prostituição a serviço dos senhores... A visão que associou a escravidão à organização da "casa-grande” não pode ser generalizada para todo o país, sendo característica especialmente de algumas áreas do Nordeste. A escravidão produziu, profundas diferenças sociais que se projetaram nos planos políticos e identitários, com repercussão nos sentimentos de integração e pertencimento social. As camadas pobres dos homens e mulheres livres também foram marginalizadas e não tinham participação política até avanzada a organização do país.
Após da extinção do tráfico externo e com o declínio econômico do Norte e do Nordeste, com a implantação da economia cafeeira no Rio de Janeiro e depois em São Paulo, gerou-se um intenso tráfico de pessoas para essas áreas. As migrações internas dos países sempre foram por questões econômicas.
Apesar de competirem em franca desvantagem, mulatos nascidos em liberdade ou alforriados conseguiram, por vezes, romper as barreiras que limitavam a ascensão social, ingressando até na vida política e literária. A questão da mestiçagem produziu no Brasil intensos debates.
Jean Baptiste Debret 1827.
A origem étnica foi também uma barreira para a ascensão social, existia uma massa considerável de escravos excluídos do sistema.
“No Brasil houve entre 1831 e 1835 um longo ciclo de rebeliões populares, envolvenndo conjuntamente setores urbanos e tropas do Exército, no Rio de Janeiro, no Recife e em Salvador. Isso sem contar a Revolta dos Malês, uma grande rebelião de escravos e libertos, majoritariamente muçulmanos, ocorrida em Salvador em 1835, que culminou numa série de conflitos endêmicos” (B e A Boris Fausto, Fernando Devoto).
O tema não está resolvido mas algumas medidas apontam ao melhoramento das condições dos históricamente excluidos.
Brasil, país mixturado não sempre pacíficamente tem povos amantes da liberdade, das consignas moderadas trouxidas da Revolução Francesa... História de lutas e fidelidades as raças sem límites...
Argentina. Ao ter uma junta de Governo, se abriram os portos às nações amigas e depois, se liberalizou o comércio exterior. Promoveram a colonização, através de acordos com agentes intermediários, oferecendo concessões de terras e crédito. As colônias escocesas, alemãs, inglesas,... acabaram por fracassar, pelas guerras civis e as dificuldades econômicas que os colonos tiveram de enfrentar, além de não tiver circuitos de comercialização, ao tamanho das unidades de exploração eram pequenas... O fato foi que nenhuma delas sobreviveu. A imigração de mas susseso foi a de caráter espontâneo, sem planos prévios...
A Primeira Junta de Governo estabeleceu a liberdade de imigração em 1810, o que, favoreceu a entrada de comerciantes europeus, sobretudo ingleses e franceses, que se beneficiavam tanto das liberdades comerciais como do fim do monopólio colonial. Durante a década de 1830 a imigração européia começou a representar números significativos.
Irlandeses, genoveses, bascos e franceses iniciaram o povoamento das cidades, assim como de algumas zonas rurais. Tratava-se, porém, de uma imigração que vinha substituir uma população faltante, mais do que um impulso demográfico novo, não foran integrados os índios na vida sacial.... Na cidade de Buenos Aires de 1855 já os estrangeiros representavam 30% da população.
A escravidão sempre teve importância secundária no sistema produtivo argentino e a redução ocorreu mais rapidamente, a partir da decretação da Lei do Ventre Livre, já em 1813. Além disso, ela diminuiu ainda mais em consequência das crises econômicas e à estrategia dos governos de turno: Os escravos tiveram a proposta de trocar sua escravidão pela participação nas guerras. Ao aceitar, foram os primeiros mortos por pertenecer às primeiras filas nas batalhas.
Em 1854 se decreta a libertação de todos os escravos. Na mesma época, foi decretado o fim da servidão indígena.
O componente branco na população era, não obstante a coexistência, de negros, índios e mestiços.
Cándido Lópes 1866
A característica diferencial étnica entre os dois países tornou-se ainda mais nítida com o incremento da imigração em massa européia, a partir aproximadamente da década de 1870, mais relevante e desordenada na Argentina do que no Brasil.
Os fenómenos foram regionais mais a população se alterou muito en favor dos brancos. Cabe destacar o genocidio emprendido pelo General Roca com apoio dos grandes donos de terra. Matavam aos índios e como testemunha do fato tinham que trazer suas orelhas... asim, os terratenientes ganaram milhoes de hetáreas de terra,... Até a derrota dos índios, o espaço semeado de trigo era de 130 mil ha. Quatro décadas mais tarde, a superfície era de mais de seis milhões de há. Esses poderosos cujas famílias ainda são donas dos médios de produção, dos médios de comunicação, de... Os índios foram afastados à fronteira, sem terras, sem alimentos, sem possibilidades... Formaram parte dos marginados sociais juntos com os europeus que ficaram pobres... Com a melhora econômica nas cidades, esses povos voltaram como trabalhadores não qualificados ou como ambulantes, morando nas favelas perto de seus trabalhos precários, sendo desprezados e discriminados pelos que lograram sobreviver às investidas dos poderosos,... às vezes tão pobres como eles...
A sociedade civil teve um pouquinho mais de igualitarismo social e maiores possibilidades de ascensão no século XX já que a população era majoritariamente livre e, ao mesmo tempo, muito mobilizada, caraterística que continua até nossos dias.
Os que moramos na Argentina sabemos que no dia a dia nos cruzaremos sempre com algúm grupo mobilizado fazendo reclamação... Isso o percebemos agora, nas épocas das furiosas ditaduras não estávamos mobilizados... Dissem que isso se chama de supervivência dos povos...
Hilda Mendoza
Bibliografia:
História do Brasil (Francisco de Assis Silva)
Brasil e Argentina (Boris Fausto e Fernando Devoto)

O Brasil e a Argentina. Texto 1: Os Territórios

Século XIX: Nascerão os dois países
Ambas nascem com territórios enormes, subpovoados e subocupados. A área do Brasil, no entanto, era três vezes maior que a da futura Argentina, têm uma diferença que tem a ver com os respectivos legados coloniais e processos de independência.
Na Argentina, organizaram todos os seus territórios ligando-os a um único porto de saída natural (para a época), de Buenos Aires enquanto Brasil possuía um sistema com diversos portos ligados alternativamente. Isso originou diferentes elites.
A vida no Brasil era mais raquítica que nas cidades espanholas da Argentina, já que a tendência era viver nas propiedades rurais. Na Argentina se criaram cidades onde morariam os propietarios rurais.

Brasil
No momento da independência o Brasil, dominava cerca da metade de seu futuro território.
Em meados do século um terço de seu território eram ocupados por grupos indígenas, menos articulados com a civilização. No Brasil, a relação com os territórios não controlados era menos conflituosa e mais distante no espaço ou tratava-se de grupos sedentarizados.
Esses grupos não constituíam uma ameaça.
O Brasil fora povoado da costa para o interior, e essa penetração le dará à civilização brasileira uma inserção predominantemente litorânea e uma certa continuidade espacial.
As sucessivas economias exportadoras no Nordeste e no Sul, embora destinassem sua produção para o abastecimento das áreas dinâmicas, também constituíam economias de exportação.
O Brasil não tinha nada comparável ao eixo fluvial do Litoral argentino. Existia, o rio Amazonas, que viria a ser uma importante via de comunicação no Norte, sobretudo depois de 1866, quando foi aberto à navegação internacional. Os outros rios eram de difícil navegação natural, e o Estado imperial pouco faria para melhorar sua navegabilidade. Apesar de possuir uma rede hidrográfica muito extensa, fazia pouquíssimo uso dela. Dispunha, em compensação, de um sistema de portos que permitia, ao menos teoricamente, uma comunicação inter-regional.
Essa multiplicidade de portos, no entanto, significava também um potencial desestímulo à unidade.
Com o tempo, isso geraria tensões e competição entre as várias regiões portuárias, redundando no desenvolvimento de interesses regionais conflitantes. Por outro lado, o Brasil possuía um sistema de estradas terrestres melhor que o da Argentina, principalmente nas regiões Sul e Centro-Sul. Nesta, o eixo principal era o chamado Caminho Novo, aberto no século XVIII.
Na primeira metade do século XIX, o Estado brasileiro — e antes o português — investiu muito na melhoria das comunicações terrestres.
As novas estradas brasileiras se concentraram nas proximidades do Rio de Janeiro sede do imperio, oferecendo uma alternativa muito melhor para a comunicação. Os dois maiores centros, Salvador e Rio de Janeiro, tinham dimensões populacionais equivalentes às de Buenos Aires, mas integravam melhor as regiões e as ligavam ao exterior sem, no entanto, favorecer a emergência de um centro unificador.

Argentina
No momento da independência, a Argentina dominava pouco mais de um terço de seu futuro território.
Em meados do século, pouco avançara, com quase metade de seu território ainda em poder dos índios articulados com a civilização por intensos intercâmbios.
Esses grupos constituíam uma ameaça, atacavam os povados jamais tentaram sua inclusão.
A Argentina fora ocupada a partir de seus dois extremos, o Noroeste e o rio la Prata, região que compreende as províncias de Buenos Aires, Santa Fé, Entre Ríos, Corrientes. Houve ainda uma povoação secundária a partir do oeste (Chile), chamado Cuyo. Essas duas zonas principais eram ligadas por uma linha muito estreita, o que tornava mais heterogênea que o Brasil.
Deve-se levar em conta, além da continuidade espacial, as vias le transporte que são articuladoras do espaço. O território era articulado pelas vias marítimas e fluviais que o atravessavam. Dispunha de um eixo fluvial, em torno dos rios da Prata, Paraná e Uruguai, que dava muita coesão uma dessas regiões, a do Litoral, de economia mais dinâmica. Em compencação, carecia de boas vias terrestres que fizessem a ligação desta com a região Noroeste. A mais transitada era a antiga estrada para Potosí, muito precária, embora com um bom sistema de postas, onde se efetuava a muda dos cavalos. Não tinha comunicação entre as diversas sub-regiões. À presença de índios belicosos somava-se a uma total ausência de trabalhos públicos para tornar minimamente seguras e transitáveis outras vias de transporte, como a que ligava Buenos Aires às províncias de Cuyo. Não se fariam estradas, já que as guerras da independência e as guerras civis ocupavam o tempo todo.
A única porta de comunicação do país com o exterior, seu único porto internacional era Buenos Aires, e não era um bom porto natural tornava a tarefa do desembarque de pessoas e mercadorias muito penosa. A geografia urbana prenunciava uma unificação forçada em torno da cidade portuária.
Hilda Mendoza
Bibliografia:
História do Brasil (Francisco de Assis Silva)
Brasil e Argentina (Boris Fausto e Fernando Devoto)