Séculos XIX e XX

Séculos XIX e XX

viernes, 6 de agosto de 2010

O Geral Roca e o genocídio atual dos povos originários

Por Juan, 6o Nível, Sábado
Li com muita atenção as notas escritas no blog. Gostei muito da escrita por Hilda sobre “O Brasil e a Argentina, Texto 2: A população”. Qualifiquei clicando no quadrinho “Legal”. Porém, Hilda se refere ao Gral Roca como “genocida”. Achei forte essa qualificação e gostaria de pegar esse conceito que ela desenvolveu para dar minha opinião.

Algumas pessoas consideram que a expedição de 1879 contra os índios foi um genocídio e destratam a figura do Geral Roca, seu condutor. Matar qualquer ser humano é um ato inapropriado e abominável. Mas acho que não devemos esquecer o contexto dessa expedição militar na hora de colocar adjetivos.

Antes da chegada dos espanhóis os povos originários estavam agrupados em parcelas mínimas de território e aproveitaram a introdução do cavalo, boiadas e armas para sua expansão territorial. O índio pegou o cavalo e a faca de ferro dos espanhóis, se tornando um flagelo terrível para o branco a quem roubava suas boiadas para serem vendidas ao Chile. Eles nunca foram sedentários. Foram sempre caçadores. A introdução do boi mudou suas vidas pois não era a mesma coisa capturar animais nativos que “caçar” mansas vacas.
Os índios Araucanos entram ao nosso país nos primórdios do século 18 quando nossa Pampa e a Patagônia eram desertos com apenas uns poucos grupos de povoadores espalhados apenas nessa imenso pasto natural. Havia inúmeras cabeças de gado selvagem que eram “caçadas” pelos escassos colonizadores só para extrair o couro. Eles deviam fugir perante o ataque constante dos índios, os famosos “malones” que eram bandos de até 6.000 índios que atacavam, de maneira rápida e inesperada, cidades, povoados e fazendas com fim de obter gado, provisões bem como mulheres novas (as “cativas”).
Por volta de 1869 era preciso consolidar a nascente Argentina, anexando ao novo país La Pampa e a Patagônia. Por conseguinte, Mitre, Sarmiento e Alsina, entre outros, começaram a estabelecer uma política de ocupação que é concluída pelo Presidente Avellaneda, em 1878. Este encarrega ao Geral Roca, nesse ano, a “Conquista do Deserto”, ação militar votada democraticamente pelo Congresso e apoiada pela sociedade da época, para consolidarem o território argentino e porem freio aos constantes ataques do índios, conduzidos por o Cacique Calfucará, numa extensa região cuja fronteira ficava perto da cidade de Buenos Aires. Era preciso, também, eles pacificarem e organizarem a região, já que os imigrantes europeus estavam chegando a nossas costas (Meus bisavôs chegaram em 1880, dois anos depois da Expedição ao Deserto).

A Expedição foi financiada pela venda antecipada de parcelas de 10.000 hectares cada. Houve vencedores e vencidos. Os índios ficaram em grandes reservas que mãos inescrupulosas depois, e até agora, as têm usurpado de há pouco.
Na mina opinião não foi um genocídio. Foi o confronto de dois exércitos. O bravo cacique Calfucurá não era o líder de um grupo de “Carmelitas Descalças”. Cidades completas foram destruídas por eles enquanto nosso território era ameaçado pela ocupação de países vizinhos.
Seria melhor que isso não tivesse acontecido. Odeio as guerras. Infelizmente, existiu. Acho que só devemos voltar para o assunto para lembrar das coisas que não temos de repetir mas não para nos enfrentarmos. Hoje, temos que colocar todas as nossas energias na mortalidade dos índios , aqui e neste momento, onde os nossos irmãos guaranis, wichis e mocovíes, estão desaparecendo e ninguém está fazendo nada por eles, com exceção de umas poucas pessoas e organizações privadas. Não acho que sejamos “genocidas” hoje, mas como nos nomeamos aqueles que deixamos morrer nossos irmãos argentinos que estão precisando de atenção médica, educação e nutrição? Pode-se matar tanto com um fuzil quanto com o esquecimento. O verbo é o mesmo, o que muda é o instrumento.
As instituições governamentais encarregadas de corrigir a situação nada fazem. Segundo eles: “Não tem fundos”. A Argentina tem dinheiro para enviar jatos só para levar jornais e bolos para as casas do fim de semana localizadas na região patagônica, mas não tem nem sequer um peso para que o nível de vida dos indígenas atinja o nível igualável ao do resto do habitantes. Os governantes lembram que eles existem na época de eleições. Depois olham para outro lado enquanto passeiam em carros e aviões luxuosos, estourando dinheiro público e se enriquecendo de um dia para o outro, esquecendo o povo que os elegeu.
Minha mensagem final, sobre a qual gostaria conhecer a opinião dos meus colegas, é que embora seja bom aprender do passado, nós argentinos devemos deixar de mexer no nosso passado buscando rancores e nos concentrarmos naqueles pontos que nos unam. Vejo constantemente como a nossa presidente, por exemplo, fala sobre a ausência dos direitos humanos acontecida trinta anos atrás enquanto não está vendo essa mesma falta no cotidiano (insegurança, desaparecimento dos povos originários, falta de medicina hospitalar, salários dos aposentados, etc.)

Por isso: Chega de briga! Que A gente se una para o futuro e não deixemos que nos separem! A gente já o demonstrou na festa do Bicentenário: O povo deu exemplo de união e fraternidade. Os políticos deram exemplo de briga e incomunicabilidade.

Grande abraço para todos, especialmente para Hilda, por suas contribuições e dedicação!

Comentários:
Hilda disse...
Com minha história estou de pé em meu presente e tento ter o intelecto aberto para poder olhar o futuro em comunidade com meus irmãos latino-americanos.
Concordo com João em que só devemos voltar para o assunto para lembrar das coisas e não repetir mais, não para nos enfrentarmos. Faço minhas as palavras de Eduardo Galeano: A caridade é humilhante porque se exerce verticalmente e desde acima; a solidariedade é horizontal e implica respeito mutuo.
Sejamos solidários com os povos que têm sofrido exclusão e impiedade.

SOS DIREITOS HUMANOS disse...
DENÚNCIA: SÍTIO CALDEIRÃO, O ARAGUAIA DO CEARÁ – UMA HISTÓRIA QUE NINGUÉM CONHECE PORQUE JAMAIS FOI CONTADA
“As Vítimas do Massacre do Sítio Caldeirão têm direito inalienável à Verdade, Memória, História e Justiça!” Otoniel Ajala Dourado
O MASSACRE DELETADO DOS LIVROS DE HISTÓRIA
No município de CRATO, interior do CEARÁ, BRASIL, houve um crime idêntico ao do “Araguaia”, foi a CHACINA praticada pelo Exército e Polícia Militar em 10.05.1937, contra a comunidade de camponeses católicos do SÍTIO DA SANTA CRUZ DO DESERTO ou SÍTIO CALDEIRÃO, cujo líder religioso era o beato “JOSÉ LOURENÇO GOMES DA SILVA”, paraibano negro de Pilões de Dentro, seguidor do padre CÍCERO ROMÃO BATISTA, encarados como “socialistas periculosos”.
O CRIME DE LESA HUMANIDADE
O crime iniciou-se com um bombardeio aéreo, e depois, no solo, os militares usando armas diversas, como metralhadoras, fuzis, revólveres, pistolas, facas e facões, assassinaram na “MATA CAVALOS”, SERRA DO CRUZEIRO, mulheres, crianças, adolescentes, idosos, doentes e todo o ser vivo que estivesse ao alcance de suas armas, agindo como juízes e algozes. Meses após, JOSÉ GERALDO DA CRUZ, ex-prefeito de Juazeiro do Norte/CE, encontrou num local da Chapada do Araripe, 16 crânios de crianças.
A AÇÃO CIVIL PÚBLICA PROPOSTA PELA SOS DIREITOS HUMANOS
Como o crime praticado pelo Exército e Polícia Militar do Ceará é de LESA HUMANIDADE / GENOCÍDIO é IMPRESCRITÍVEL conforme legislação brasileira e Acordos e Convenções internacionais, a SOS DIREITOS HUMANOS, ONG com sede em Fortaleza – CE, ajuizou em 2008 uma Ação Civil Pública na Justiça Federal contra a União Federal e o Estado do Ceará, requerendo: a) que seja informada a localização da COVA COLETIVA, b) a exumação dos restos mortais, sua identificação através de DNA e enterro digno para as vítimas, c) liberação dos documentos sobre a chacina e sua inclusão na história oficial brasileira, d) indenização aos descendentes das vítimas e sobreviventes no valor de R$500 mil reais, e) outros pedidos
A EXTINÇÃO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO DA AÇÃO
A Ação Civil Pública foi distribuída para o Juiz substituto da 1ª Vara Federal em Fortaleza/CE e depois, para a 16ª Vara Federal em Juazeiro do Norte/CE, e lá em 16.09.2009, extinta sem julgamento do mérito, a pedido do MPF.
RAZÕES DO RECURSO DA SOS DIREITOS HUMANOS PERANTE O TRF5
A SOS DIREITOS HUMANOS apelou para o Tribunal Regional da 5ª Região em Recife/PE, argumentando que: a) não há prescrição porque o massacre do SÍTIO CALDEIRÃO é um crime de LESA HUMANIDADE, b) os restos mortais das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO não desapareceram da Chapada do Araripe a exemplo da família do CZAR ROMANOV, que foi morta no ano de 1918 e a ossada encontrada nos anos de 1991 e 2007;
A SOS DIREITOS HUMANOS DENUNCIA O BRASIL PERANTE A OEA
A SOS DIREITOS HUMANOS, como os familiares das vítimas da GUERRILHA DO ARAGUAIA, denunciou no ano de 2009, o governo brasileiro na Organização dos Estados Americanos – OEA, pelo DESAPARECIMENTO FORÇADO de 1000 pessoas do SÍTIO CALDEIRÃO.
QUEM PODE ENCONTRAR A COVA COLETIVA
A “URCA” e a “UFC” com seu RADAR DE PENETRAÇÃO NO SOLO (GPR) podem localizar a cova coletiva, e por que não a procuram? Serão os fósseis de peixes do “GEOPARK ARARIPE” mais importantes que os restos mortais das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO?
A COMISSÃO DA VERDADE
A SOS DIREITOS HUMANOS busca apoio técnico para encontrar a COVA COLETIVA, e pede que o internauta divulgue a notícia em seu blog/site, bem como a envie para seus representantes no Legislativo, solicitando um pronunciamento exigindo do Governo Federal a localização da COVA COLETIVA das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO.
Paz e Solidariedade,
Dr. Otoniel Ajala Dourado
OAB/CE 9288 – 55 85 8613.1197
Presidente da SOS – DIREITOS HUMANOS
Editor-Chefe da Revista SOS DIREITOS HUMANOS
Membro da CDAA da OAB/CE
http://www.sosdireitoshumanos.org.br
sosdireitoshumanos@ig.com.br
http://twitter.com/REVISTASOSDH
26 de junho de 2010 18:11

Hilda disse...
Concordo. Os crimes de lesa humanidade não têm prescrição sejam crimes políticos, sociais ou econômicos...

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